Como Pascoal, em Belíssima, Reynaldo Gianechinni tem a oportunidade de dar vida a um personagem completamente diferente do que é na vida real. Para encarnar o borracheiro bronco, o ator – filho de professores que sempre interpretou moços bem-educados em novelas – lançou mão de um vocabulário cheio de gírias e expressões populares em um sotaque ítalo-acaipirado.
Mais do que o acento carregado, porém, o que tem causado estranhamento no público é o resgate de algumas expressões. Entre gírias modernas – como o famigerado “tá ligado?” –, o personagem de Giane tem disparado outras do arco da velha. Sobrou até para a antiquíssima “não me enche os pacovás”, frase usada com freqüência pelo bonitão na trama, mas que pouca gente com menos de 30 anos conhece.
“Sem dúvida eu aproveitei minha infância em Birigui (a 518 km de São paulo) para resgatar o linguajar do personagem”, confessa o ator.
O que parece falha do personagem é proposital. Para Silvio de Abreu, autor da trama, essa mistura de gírias antigas e modernas é necessária para caracterizar o personagem. “O fato de Pascoal ter crescido em cidades do interior paulista e ter se dado com moleques pobres de periferia na capital justifica esse comportamento. Essa característica faz parte da sua composição”, conta o autor, que ganhou o aval do professor José Luiz Fiorin, do Departamento de Lingüística da USP.
“É importante notar que nem todos os borracheiros falam da mesma forma”, explica o estudioso, que acredita que o autor foi inteligente ao se valer do recurso da linguagem para montar o personagem. “Se ele usa termos antigos, passa a idéia de que o personagem não é descolado. O Pascoal é bronco, atrapalhado”.