Geraldo Azevedo desembarca na cidade para dar início à turnê de lançamento de seu álbum O Brasil Existe em Mim. Em pequena temporada na cidade, o cantor fará dois shows: um hoje e outro amanhã, ambos às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. A capital parece ter encantado o pernambucano.
Ano passado, Brasília foi a recordista em aparições do cantor: ao todo, foram nove shows. E neste ano, o cantor-compositor já virou figurinha-fácil na cidade. “Brasília tem uma relação muito marcante na minha carreira”, explica.
Éllen Oléria, cantora brasiliense de black music, será a responsável pelas honras, abrindo as duas noites de shows. Na sequência, Geraldo sobe ao palco acompanhado de Sidney Santos (baixista), Luis Alencar (sanfona e teclados), Vitor Mota (sopros), Tiago Azevedo (baterista) e Clarice Azevedo (vocal).
Os dois últimos são filhos do cantor, que apresentará repertório bem eclético: “Metade do show será de canções do álbum novo e outra dedicada às músicas de maior sucesso e outras que se identificam com o nome do CD”, adianta.
Geraldo brinca orgulhoso por ter dois de seus filhos o acompanhando: “Tenho um quê de nepotismo”. Além de participar da banda como backing vocal, Clarice divide os vocais com o pai em Ver de Novo.
Nordestino
O Brasil que Existe em Mim é um projeto que mistura várias influências musicais – de reggae à bossa-nova – mas apresenta uma pegada especial de blues, acariciada com o inquestionável sotaque nordestino. O álbum traz parcerias de Azevedo com importantes compositores, como Capinan, em Você Minha Ilha e Chorinho de Criança.
O trabalho de Torquato Neto também se fez presente. Trata-se da canção O Nome do Mistério, escrita nos anos 60 por ele e Azevedo. O curioso é o motivo pelo qual ela permaneceu inédita: “Essa letra andava perdida. Depois de todas as minhas mudanças de casa por causa dos meus casamentos, ela tinha desaparecido. Mas encontrei e decidi que deveria ser registrada”.
A dobradinha se estende também à Elba Ramalho e Alceu Valença. Ela, descrita por Geraldo Azevedo como “umas das maiores cantoras brasileiras”, faz parceria com o pernambucano em São João Barroco. Já Alceu Valença canta Já Que o Som Não Acabou, uma homenagem ao ícone do baião Jackson do Pandeiro. “Eu e Alceu conhecemos Jackson juntos”, lembra o cantor, que confessa ser exigente em relação às suas músicas. “Por isso, precisávamos gravar essa canção juntos”, conclui.
A turnê do novo trabalho ainda nem começou e Geraldo já pensa no próximo projeto. “Já estou sonhando com o novo disco. Eu me realizo muito cantando. Mas o sonho maior é quando as músicas ficam na cabeça do povo”, despede-se.
O Brasil Existe em Mim – De Geraldo Azevedo. Hoje e amanhã, às 21h, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Ingressos a R$ 14 (inteira) e R$ 7 (meia, para estudantes, idosos, professores e deficientes físicos). À venda na bilheteria do Teatro. Informações: 3325-6239.