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Genética explica casos de alto índice

Arquivo Geral

10/08/2004 0h00

Quando o colesterol está muito alto, normalmente se culpa a má alimentação e a vida sedentária. Mas, e nos casos em que a pessoa cumpre uma dieta rigorosa, faz exercícios cotidianos e ainda assim apresenta altos índices de colesterol? Para isso, a resposta pode estar na genética.

É o cardiologista Raimundo Nascimento, diretor-executivo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que explica: “O defeito genético ou está onde o colesterol é produzido, no fígado, ou onde é absorvido, no intestino. A maioria das pessoas (com colesterol alto) tem algum deles.”

O alto índice de colesterol está ligado à formação, dentro das artérias, de placas de gordura que estreitam a passagem do sangue (aterosclerose). São fatores de risco para infarto do coração e derrame, doenças que mais matam no Brasil.

A explicação genética para o aumento nos índices de colesterol veio à tona, pela primeira vez, em 1976, a partir de um trabalho desenvolvido por cientistas norte-americanos, que acabaram ganhando o Prêmio Nobel pela pesquisa e descoberta.

De acordo com este trabalho, uma a cada 500 pessoas tem níveis elevados de colesterol no sangue em razão de uma doença genética chamada hipercolesterolemia familiar, causada pela deficiência ou má função de receptores de LDL (o colesterol “ruim”) , que faz com que seja retirado mais lentamente do plasma (parte líquida do sangue).

O mais impressionante é que a questão está associada a 75% dos infartos antes dos 60 anos, mesmo em pessoas que têm hábitos de vida saudáveis.

Em uma outra forma, muito grave e muito rara (1 caso para 1 milhão de pessoas), os receptores podem não existir, o que causa mortes antes dos 20 anos.

O cardiologista Raul Dias dos Santos, médico-assistente da Unidade Clínica de Lípides do Incor (Instituto do Coração) de São Paulo, diz que recentemente colocou uma ponte de safena em uma menina de 13 anos que, portadora da doença rara, tinha índices de colesterol perto de 800 mg/dl.

Outra forma de defeito genético é o que faz com que os receptores de LDL não sejam reconhecidos, explica Raul Cisternas, do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa e um pesquisador do assunto.

De acordo com Cisternas, o consenso da Sociedade Brasileira de Cardiologia é que pessoas que, aos 20 anos, tenham colesterol total (soma do “bom” e do “mau” colesterol) igual a 200 mg/dl de sangue devem refazer o exame só a cada cinco anos.

As drogas contra o colesterol rendem hoje US$ 200 bilhões em vendas no mundo, o que explica a disputa de empresas para melhorar as suas formas de apresentação e as associações de medicamentos.

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    10/08/2004 0h00

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    É o cardiologista Raimundo Nascimento, diretor-executivo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que explica: “O defeito genético ou está onde o colesterol é produzido, no fígado, ou onde é absorvido, no intestino. A maioria das pessoas (com colesterol alto) tem algum deles.”

    O alto índice de colesterol está ligado à formação, dentro das artérias, de placas de gordura que estreitam a passagem do sangue (aterosclerose). São fatores de risco para infarto do coração e derrame, doenças que mais matam no Brasil.

    A explicação genética para o aumento nos índices de colesterol veio à tona, pela primeira vez, em 1976, a partir de um trabalho desenvolvido por cientistas norte-americanos, que acabaram ganhando o Prêmio Nobel pela pesquisa e descoberta.

    De acordo com este trabalho, uma a cada 500 pessoas tem níveis elevados de colesterol no sangue em razão de uma doença genética chamada hipercolesterolemia familiar, causada pela deficiência ou má função de receptores de LDL (o colesterol “ruim”) , que faz com que seja retirado mais lentamente do plasma (parte líquida do sangue).

    O mais impressionante é que a questão está associada a 75% dos infartos antes dos 60 anos, mesmo em pessoas que têm hábitos de vida saudáveis.

    Em uma outra forma, muito grave e muito rara (1 caso para 1 milhão de pessoas), os receptores podem não existir, o que causa mortes antes dos 20 anos.

    O cardiologista Raul Dias dos Santos, médico-assistente da Unidade Clínica de Lípides do Incor (Instituto do Coração) de São Paulo, diz que recentemente colocou uma ponte de safena em uma menina de 13 anos que, portadora da doença rara, tinha índices de colesterol perto de 800 mg/dl.

    Outra forma de defeito genético é o que faz com que os receptores de LDL não sejam reconhecidos, explica Raul Cisternas, do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina da Santa Casa e um pesquisador do assunto.

    De acordo com Cisternas, o consenso da Sociedade Brasileira de Cardiologia é que pessoas que, aos 20 anos, tenham colesterol total (soma do “bom” e do “mau” colesterol) igual a 200 mg/dl de sangue devem refazer o exame só a cada cinco anos.

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