Ganhou o primeiro cavaquinho aos cinco anos, criou gosto pelo bandolim aos sete e, quatro anos mais tarde, já tocava entre os grandes chorões. Essa biografia é da garota-prodígio da música instrumental brasileira, Nilze Carvalho. A cantora e instrumentista carioca viveu a época de ouro da carreira ainda adolescente nos anos 80. Agora, a menininha cresceu, mas não deixou de chorar. Ela faz sua estréia no palco do Clube do Choro de hoje a sexta, a partir das 21h30.
Tudo começou em 1981, quando apareceu na telinha em reportagem do Fantástico e gravou seu primeiro long-play com o sugestivo título de Choro de Menina, na flor de seus 11 anos de idade. O álbum virou uma série de quatro LPs e, a partir de então, a garotinha não parou mais de tocar.
Logo no início da carreira, veio a Brasília e fez um show-tributo a Waldir Azevedo, na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional. Mais de 20 anos depois, Nilze retorna à capital para homenagear outro grande nome do choro, o violonista Garoto.
A bandolinista se apresentou há dois meses no Feitiço Mineiro, onde mostrou sua verve de cantora e intérprete de samba e MPB. No Clube do Choro, a linguagem de Nilze será diferente. Ela faz uma performance completamente instrumental com músicas de Jacob do Bandolim, Waldir Azevedo, Ernesto Nazareth e o homenageado Garoto.
Aos 33 anos, Nilze comemora a bem-sucedida carreira internacional – seus discos venderam durante a década de 90 quase que somente no Japão, Europa e Estados Unidos, enquanto a venda no Brasil estagnou. Voltou a cair nas graças do público brasileiro há cinco anos, quando regressou ao País para lançar o CD Chorinhos de Ouro, primeiro grande sucesso da intérprete desde Choro de Menina. Depois de uma temporada de seis anos no Japão, Nilze sossega no Rio de Janeiro, onde é instrumentista-líder do conjunto de samba carioca Sururu na Roda.