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García Márquez chega às telas com <i>O Amor nos Tempos do Cólera</i>

Arquivo Geral

28/12/2007 0h00

Florentino Ariza esperou 51 anos, nove meses e quatro dias pelo amor de sua vida, Fermina Daza. Personagens de O Amor nos Tempos do Cólera, um dos livros mais famosos do colombiano Gabriel García Márquez, eles ganharam vida no cinema interpretados pelo espanhol Javier Bardem e pela italiana Giovanna Mezzogiorno.

A versão cinematográfica do romance de García Márquez, já em cartaz nos cinemas de Brasília, é uma produção de US$ 50 milhões (cerca de R$ 90 milhões). Para recuperar o investimento rapidamente, o produtor, Scott Steindorff, teve de rodar o filme em inglês. “Seria complicado colocar legendas em inglês em uma produção voltada para o mercado americano”, afirma.

O problema é que, por exigência de García Márquez, com quem o produtor passou dois anos negociando os direitos autorais, Steindorff teve de contratar atores latinos. Nesse pacote entraram 90 colombianos e a brasileira Fernanda Montenegro.

Por conta disso, o filme virou uma colcha de retalhos lingüística. Em uma mesma cena, Bardem fala com Mezzogiorno que, por sua vez, dirige-se a colombianos, uma mistura de sotaques de uma única vez que acaba atrapalhando um pouco a compreensão.

Essa particularidade pode custar o sucesso do filme nos Estados Unidos, onde houve críticas em relação à escolha do elenco. Os críticos alegam que os norte-americanos aceitariam o longa-metragem com facilidade se os atores fossem de Hollywood.

Tanto que o diretor, Mike Newell, chegou a sondar Angelina Jolie, Natalie Portman, Antonio Banderas e Johnny Depp, entre outros. Na Colômbia, os críticos não perdoam o fato de uma das obras mais famosas de García Márquez ser falada em inglês. No entanto, duas interpretações do longa foram as mais elogiadas: a de Bardem e a de Fernanda Montenegro.

Outra surpresa é a trilha sonora. A pedido do próprio García Márquez, a popstar Shakira – também colombiana – escreveu as canções. Um desavisado poderia não reconhecê-la nessa versão “acústica”. A Shakira dos sucessos das danceterias cede espaço para uma cantora de voz suave que, de vez em quando, deixa escapar os seus trejeitos. O ponto positivo é que isso acontece de forma sutil. A música tem a personalidade da artista, mas não se sobrepõe à cena.

Também se destaca a fotografia, a cargo do brasileiro Affonso Beato. Beato cuida para que o colorido da cidade de Cartagena seja valorizado. Nessa cidade, que remonta aos tempos dos piratas caribenhos dos séculos 18 e 19, os coloridos dos prédios, praças, ruelas, hotéis e monumentos são muito mais intensos.

Foi o que seduziu o produtor a alugar uma casa durante os cinco meses de filmagens, no ano passado, em vez de passar o tempo num hotel. Para ele, a cidade virou seu segundo lar, um caso de amor que só perde para a paixão pela atriz colombiana Marcela Mar, que ele conheceu durante as filmagens.

Mar interpreta a professora America Vicuña, uma das últimas na vasta lista de mulheres com quem Florentino se envolveu, transformando-o em um Don Giovanni caribenho.

Elogios
“Espetacular”, nas palavras do produtor Scott Steindorff, Fernanda Montenegro destaca a condução de Mike Newell em O Amor nos Tempos do Cólera. “Ele (Newell) é um homem firme, embora extremamente doce. E me fez perder o medo que eu tinha de representar em outra língua, pois, afinal, a língua é a nossa essência”, afirmou a atriz, guardando elogios curiosos para Bardem, que interpreta seu filho no filme.

“É um espanhol de boa cepa. Parece um touro erótico de Picasso. Ele tem um apelo com as mulheres que deve ser um carma para ele. E isso brota de forma espantosa na tela”, disse ela, na pré-estréia mundial do longa, no Festival do Rio, em outubro passado.

O diretor de fotografia Affonso Beato, seus assistentes Gustavo Hadba e Rodrigo Monte e o músico Antonio Pinto, autor da trilha sonora, são outros brasileiros na produção.

Newell assistiu a filmes colombianos para formar o elenco. Escolheu, entre outras, Catalina Sandino Moreno (Maria Cheia de Graça), Marcela Mar (Satanás) e Angie Cepeda (Pantaleão e as Visitadoras).

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