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Arquivo Geral

04/04/2008 0h00

Os Rolling Stones ganham um registro definitivo nas telas. Apesar de muito bem documentados em imagens — só as duas últimas turnês geraram DVDs quádruplos —, nada se compara a Shine a Light, de Martin Scorsese, com estréia mundial hoje. E o lançamento não fica restrito aos cinemas: quatro dias depois, na terça-feira próxima, chega em CD duplo, com 22 músicas, às lojas.

O diretor de obras marcantes como Taxi Driver (1976) e Touro Indomável (1980), ganhador do Oscar por Os Infiltrados, já assinou documentários musicais igualmente importantes, como The Last Waltz (1978), com a despedida da The Band, a série de TV The Blues (2003) e o impecável No Direction Home: Bob Dylan (2005).

Shine a Light não tem a profundidade deste último em termos biográficos. O diretor recheia os shows dos Rolling Stones no belo Beacon Theatre, de Nova York, nos dias 29 de outubro e 1° de novembro de 2006, com material antigo para ilustrar o presente, como, por exemplo, um jovem Mick Jagger dizendo que a banda não duraria mais do que dois anos.

Scorsese sofreu nas mãos dos Stones. Ele aparece implorando pela lista de canções do show sem sucesso, chegando ao desespero de pedir só o nome da primeira e sendo obrigado a preparar a movimentação de câmeras de mais de uma centena porque Jagger o torturou até o último momento.

Turnê
O show integrou a turnê A Bigger Bang, com parte do repertório que ouvimos aqui na Praia de Copacabana — o cenário sugerido pelo grupo para o filme, mas Scorsese preferiu fazer num local menor —, mais algumas pérolas tiradas do imenso baú deles. Uma falta imperdoável foi o roteiro não ter uma daquelas canções em que se destaca a vulcânica vocalista Lisa Fischer, como Night Time is the Right Time ou Gimme Shelter. Jagger roubou os refletores de Lisa para a branquela Christina Aguillera cantar Live with Me, canção de 1969.

Jack White, o guitarrista e cantor dos White Stripes, faz uma participação discreta em Loving Cup, convenientemente acústica, com ele e Jagger nos violões. Se o tivessem deixado pegar na guitarra, o bicho ia pegar. A participação que vale o filme inteiro é a do bluesman Buddy Guy, em forma aos 70 anos, na provocante Champagne and Reefer. Os solos lancinantes de Buddy e os closes em sua expressiva figura empolgam a platéia e o espectador no cinema.

Para mostrar os Rolling Stones por dentro, Martin Scorsese escalou 17 diretores de fotografia e operadores de câmera, todos pegando no pesado, com exceção do coordenador Robert Richardson e de Albert Maysles — este, o diretor, com o irmão David, de Gimme Shelter, de 1970, o documentário sobre o desastroso festival promovido pelos Stones na Califórnia em 1969.

O espectador acompanha toda a movimentação de corpo de Jagger como se estivesse do seu lado, as obturações no fundo da imensa boca, as modulações dos lábios, o olhar intenso e sempre fixo em algum ponto acima da platéia ou diretamente nos músicos, as bufadas de cansaço ao acabar Sympaty for the Devil, quando veio do fundo do teatro para a frente do palco.

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