Engenheiros iniciaram, hoje, as obras de retirada dos sedimentos da baía em volta da abadia de Mont-Saint-Michel, num projeto que pretende restaurar o meio ambiente original de um dos mais famosos marcos culturais da França.
A abadia beneditina medieval de Mont-Saint-Michel, erguida há mais de cinco séculos num promontório rochoso situado entre a Normandia e a Bretanha, no norte da França, é uma das atrações turísticas mais visitadas do país.
Três milhões de turistas por ano visitam Mont-Saint-Michel, um destino de peregrinações na Idade Média, antes de ser convertido em prisão na época da Revolução Francesa e declarado patrimônio histórico e cultural mundial em 1979.
"Estamos em um desses lugares onde o tempo desaparece e o homem se vê só, diante dele próprio, sua história e seu dever", disse o primeiro-ministro francês Dominique de Villepin, que inaugurou oficialmente a fase principal do projeto. "O projeto que estamos lançando hoje vai possibilitar o renascimento do local excepcional deste monumento", completou.
Originalmente, a abadia de Mont-Saint-Michel ficava quatro quilômetros mar adentro, em meio às correntezas turbulentas do Canal da Mancha, e era ligada ao continente apenas por uma ponte estreita de terra que, durante a maré alta, era recoberta pelo mar. Aos poucos, porém, foi perdendo seu caráter de ilha.
Uma estrada elevada erguida em 1879 e pôlderes construídos para conquistar terras para a prática da agricultura provocaram a sedimentação progressiva da baía que cerca a abadia.
O projeto orçado em 160 milhões de euros (US$ 202,6 milhões), e previsto para terminar em seis anos, vai incluir a construção de uma barragem no rio Couesnon, que deságua na baía, para represar as águas na maré alta.
Com isso, os sedimentos depositados na baía poderão ser removidos durante a maré baixa, "como um gigantesco sistema de descarga", de acordo com o diretor do projeto, François-Xavier de Beaulaincourt.
A estrada elevada será substituída por uma ponte de 700 metros de extensão para pedestres, erguida sobre estacas e, a partir de 2011, o atual estacionamento será demolido e os carros não terão mais acesso direto à ilha. Os visitantes terão de chegar ao Mont-Saint-Michel de balsa.