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Fotógrafa Mila Petrillo lança livro com imagens de projetos sociais e culturais

Arquivo Geral

23/04/2007 0h00

Há 14 anos, a fotógrafa Mila Petrillo registra com olhar sensível a transformação que instituições  de apoio sociocultural promovem nas vidas  de crianças e adolescentes espalhados pelo Brasil. O resultado está no livro Arte de Transformação…, que será lançado nesta segunda-feira, às 19h30, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). Algumas das fotos que preenchem o livro ficarão expostas  em frente à Livraria Dom Quixote do CCBB até o fim do mês.

O livro contém 600 imagens de 52 iniciativas visitadas por Mila. “O ponto  principal das instituições é a recuperação do ser – mas, ao mesmo tempo, com um trabalho de qualidade artística genial”, explica a fotógrafa.

Boa parte das  imagens registra as performances artísticas das crianças e adolescentes, estimuladas pelos projetos que as acolhem. “Não estou romantizando a pobreza: o que quero dizer com as fotos é que enxergamos muito pouco o outro”, enfatiza Mila. E completa: “A cada dia conheço uma entidade da qual nunca sequer tinha ouvido falar; é uma coisa totalmente sem controle, graças a Deus!”.

É exatamente a  proliferação dessas iniciativas o que deixa Mila esperançosa. “Isso tudo – que está acontecendo de forma silenciosa – terá um grande impacto na arte brasileira daqui a 10, 15 anos”, prevê.

O livro Arte de Transformação… foi editado pelo jornalista, artista plástico e músico Bené Fonteles; e traz textos de Severino Francisco e TT Catalão, além de dados sobre cada projeto social registrado.

Fotógrafa há 29 anos, Mila – antes de se render aos projetos – era figurinha fácil na cobertura de eventos culturais da capital. Foi em 1993, a convite da Centro Projeto Axé de Defesa e Proteção à Criança e ao Adolescente, em Salvador,  que ela percebeu um outro mundo de possibilidades artísticas.

Vinda de uma família de militantes de  esquerda, Mila viveu a infância em tempos de ditadura. Quando adulta, frustrou-se com o Brasil inteiro – que respirava os primeiros ares de liberdade da abertura política e das eleições diretas – diante do impeachment de Collor, e se viu sem perspectivas. “Na minha vida pessoal, tinha a sensação de que nada iria se resolver”, conta. “Trabalhar com o Axé foi  uma das experiências mais fortes que já tive; eram meninos que não tinham noção do amanhã, que viviam o hoje e o agora do perverso”, lembra.

Seduzida pelo universo antes desconhecido, a repórter-fotográfica passou a dividir seu  tempo entre colaborações para revistas como Marie Claire, VogueElle e as instituições.  “Teve época em que fazia matéria para uma revista feminina da alta sociedade brasiliense, e, ao mesmo tempo, fotografava para o Unicef meninos que viviam no Lixão. De manhã, fotografava os meninos no lixo brincando sem parar: à tarde, ia a casa de uma pessoa que tinha duas BMWs na garagem e o filho todo gordinho sentado em frente à TV, sem piscar os olhos. Isso revolucionou os meus conceitos”.

Em 2001, a Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI) concedeu a Mila o título de Jornalista Amiga da Criança. Engajada, a fotógrafa se diz preocupada diante do pouco destaque que as iniciativas de apoio a crianças e adolescentes recebem na mídia. “A imprensa, no geral, é atropelada por milhares de fatos do cotidiano, e  acaba fazendo algumas injustiças. Certas áreas da sociedade – por acaso as maiores – são invisíveis, e só ocupam as páginas do jornal quando agressoras”, diz. “Por que algumas pessoas valem mais que outras? Cada um desses meninos tem história para contar – e, quando você se aproxima da realidade delas, pensa: não sei se sobreviveria a uma situação dessas”.

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