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Final feliz só depois de o sol nascer quadrado

Arquivo Geral

14/02/2006 0h00

Lugar de mocinha é na cadeia – pelo menos nas novelas das oito da Globo. Em Belíssima, Vitória (Claudia Abreu) já viu o sol nascer quadrado, cumprindo uma espécie de saga que também “premiou” as mocinhas de América, Senhora do Destino e Celebridade.

Em Belíssima, Vitória foi presa porque não quis depor pela segunda vez sobre o assassinato de seu marido, Pedro (Henri Castelli). “Belíssima é uma novela policial e a mocinha ir para a cadeia é quase uma conseqüência lógica”, justifica o autor da trama, Silvio de Abreu.

Na opinião de Gilberto Braga, autor de Celebridade, a prisão de Maria Clara Diniz (Malu Mader) sensibilizou o telespectador: “Acho que a prisão da mocinha mobiliza o público, ou então seria coincidência demais”. Mas nem todos pensam assim. É o caso de Glória Perez, autora de América e responsável por colocar Sol (Deborah Secco) atrás das grades. “O que mobiliza o público é uma boa história!”, dardeja, esclarecendo: “Sol foi presa porque a situação exigia: é o que acontece com quem atravessa ilegalmente a fronteira”.
Susana Vieira, que interpretou a nordestina boa-praça Maria do Carmo em Senhora do Destino, afirma que colocar a protagonista na cadeia é um ótimo artifício para a dramaturgia.

“Isso funciona muito bem em novelas”, atenta. “E é mais fácil um inocente ficar preso na ficção do que na realidade. Nas tramas, os advogados são muito lentos. Na vida real, eles são mais espertos e muitas vezes conseguem até libertar seus clientes mesmo que eles sejam culpados.”
dramaPara a atriz, as cenas de Maria do Carmo na prisão foram as melhores de toda a novela: “Na outra cela estava ninguém menos do que Renata Sorrah, vivendo a megera Nazaré. Renata foi maravilhosa! Gastamos um sábado inteiro fazendo a seqüência, mas valeu a pena”.
Susana, fã assumida dos dramalhões mexicanos, lembra que engaiolar as mocinhas é comum nas tramas de lá. “O problema é que a mulherada fica na cadeia de minissaia, batom e cílios postiços”, caçoar. “Na dramaturgia brasileira, as cenas feitas na prisão são muito mais reais.”
O fato é que uma passagem pela cadeia sempre pode ser utilizada para a vítima refletir sobre sua vida. Vitória aprendeu uma lição: com dinheiro, pode-se tudo. Foi na prisão que a mocinha descobriu que Bia Falcão (Fernanda Montenegro) comprou falsas testemunhas na Grécia.
Agora, ela, que sempre renegou a herança do marido, já mudou de idéia, vai pegar sua parte e ir à luta para colocar todos os “pingos nos is”.
Susana Vieira lembra que, durante as cenas na prisão exercitou muito as técnicas de dramaturgia. Afinal de contas, Maria do Carmo foi visitada por Giovanni (José Wilker), Dirceu (José Mayer) e pelo filho Viriato (Marcello Antony). “Tinha que transformar as emoções cada vez que mudava a visita”, conta.
Não é bem o caso dela, atriz tarimbada e que já provou render tanto em papéis de personagens do bem quanto em vilãs – mas passar por uma experiência na detenção pode mesmo ajudar muito artista a desenvolver melhor seu potencial dramático. Alguns, como Deborah Secco, exageram e criam cacoetes, mas outros aproveitam a lição.

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