Sabe quando você tem aquela oportunidade de fazer algo diferente, novo, inusitado e não faz? De escapar do lugar-comum? Da mesmice que tomou conta do desfecho das novelas? O roteirista estreante em TV João Emanuel Carneiro, que assina Da Cor do Pecado, tinha tudo para quebrar essa rotina. Repito: tinha. Na véspera do fim da história no ar, quando muitos esperavam por alguma inovação, por alguma boa idéia, um final inesperado, eis que lá vem o autor com os mesmos vícios de sempre, frustrando as expectativas de todos. Logo ele, que vinha sendo cantado em verso e prosa por muita gente, mas que também atraiu uma ciumeira sem tamanho por parte de globais mais antigos, em função de, logo de cara, ter emplacado uma novela na principal emissora do País. Mas nem por isso ele deixa de ser um profissional previsível. Giovanna Antonelli, a Bárbara, começou a trama como uma das mais lúcidas do roteiro, decidida a ficar milionária. Porém, como toda vilã, fica maluca, perde tudo e deve acabar no hospício. Tipo do finalzinho previsível, que qualquer um poderia elaborar. Taís Araújo, a mocinha que sofreu com as armações de Bárbara e até perdeu o marido para ela, claro, se dá bem e fecha com Reynaldo Gianeccnini. Nenhuma novidade. O Canal 1 fica muito à vontade para falar de João Emanuel, que durante esse tempo recebeu inúmeros elogios da coluna – afinal, não é todo dia que uma novela das sete dá tanta audiência quanto uma produção das oito. O autor tem o seu valor. No entanto, talvez pressionado pelos Grupos de Discussão – que, muitas vezes, determinam os rumos de uma novela –, também enveredou pelo lugar-comum. Se a Globo está preocupada com isso? Evidentemente que não. Como bom funcionário, ele cumpriu seu papel e até superou expectativas. De audiência. Seu próximo trabalho na emissora carioca será uma minissérie de época; depois, quem sabe, uma novela
das oito.