Nas locadoras da cidade, alguns filmes relacionados aos modernistas podem ser alugados. Dentre eles, Macunaíma (1969), adaptação do romance de Mário de Andrade, pelo diretor Joaquim Pedro de Andrade. O cineasta também dirigiu O Homem do Pau-Brasil (1980), melhor filme no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro em 1981, que conta a vida de Oswald de Andrade. Tem ainda o drama Lição de Amor (1976), do diretor Eduardo Escorel, baseado na obra Amar – Verbo Intransitivo, do modernista Mário de Andrade.
Na música, o compositor Heitor Villa-Lobos aderiu ao movimento. Na Semana de Arte Moderna ele apresentou algumas composições e apoiou as idéias de transformação que eram propostas. “Villa-Lobos é o principal compositor da história da música brasileira”, diz o maestro Cláudio Cohen, diretor-executivo da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro. “Suas obras têm muitas características da modernidade”.
De acordo com o regente local, a obra O Quarteto de Cordas nº 3 foi composta especialmente para a Semana de 22. “Ele tem composições de cunho nacionalista muito forte”, acentua Cohen. “O manifesto foi importante para que começássemos a preservar a nossa cultura e os nossos artistas”.
Na literatura, muitos títulos do Modernismo podem ser encontrados nas livrarias e bibliotecas da cidade. O primeiro livro de poesias do movimento é Paulicéia Desvairada (1922), de Mário de Andrade. De acordo com a professora de Literatura da Universidade Católica de Brasília Ana Agra, com essa obra já se percebia um novo estilo, como a quebra de rimas e de ritmos. “Os versos se tornaram mais livres”, afirma. “Uma nova linguagem surge”.
De Mário de Andrade, também é possível encontrar nas livrarias Losango Cáqui (1926) e Lira Paulistana (1946). Esse último deu nome, inclusive, a um importante teatro de bolso na capital paulista, berço de nove das dez principais formações da MPB e do rock tupiniquim nos anos 70 e 80.
Outro nome da literatura modernista foi Oswald de Andrade, que ironizou a cultura e a história brasileiras no livro de poemas Pau-Brasil (1925), além de escrever romances como Memórias Sentimentais de João Miramar (1924) e Serafim Ponte Grande (1933). O escritor e jornalista Graça Aranha – que tem papel secundário na minissérie da Globo – participou da Semana de Arte Moderna com artigos e manifestos em jornais, discutindo a arte moderna.
Livros como Semana de 22 (1992), de Francisco Alambert, e 22 por 22 – A Semana de Arte Moderna (2001), de Maria Eugênia Boaventura, são uma boa fonte de informação sobre o evento que mudou a cultura brasileira. É possível descobrir, por exemplo, que, desde 1917, o Brasil já sofria algumas mudanças na cultura. A primeira contribuição desse movimento veio das artes plásticas, com as pinturas de Anita Malfatti e as esculturas de Vitor Brecheret. Foi a abertura para que houvesse uma mudança.
“Tudo que temos hoje de moderno vem dessa ruptura”, destaca a professora Ana Agra. “Havia um amplo movimento na Europa, como o Dadaísmo e o Cubismo, que vinham questionando uma nova arte”s.