Adaptado. Baseado. Inspirado. Não importa como. Grandes obras literárias influenciam o cinema desde o início de sua existência. Já em 1908, os franceses Charles le Bargy e André Calmettes buscaram inspiração no romance de Henri Lavedan para criar O Assassinato do Duque de Guise. Madame Bovary, romance de Flaubert, inspirou Claude Chabrol em 1991 e já havia seduzido Jean Renoir (1933) e Vincent Minnelli (1949).
Para contar essa história, dez filmes franceses do século 20 – todos influenciados por obras literárias – estão em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil. É a mostra Literatura e Cinema: Uma História de Amor e Traição, com material pertencente à Cinemateca da Embaixada da França.
Laurent Desbois, curador do evento, afirma que a mostra é uma oportunidade raríssima para o público conhecer obras como Pinga Fogo (1932), de Julien Duvivier e considerado um símbolo do realismo poético. Há ainda As Damas do Bosque de Boulogne ( 1944) e Mouchette, a Virgem Possuída (1967), de Robert Bresson; Orfeu (1949), de Jean Cocteau, e a experimental India Song (1974) de Marguerite Duras.
“Os dez filmes escolhidos são dez respostas a obras literárias”, conta Desbois. “A Bela da Tarde é uma visão pessoal de Luis Buñuel sobre o romance de Joseph Kessel”, exemplifica.
Sobre o título da mostra, Desbois explica que traição seria essa: “Há muitos leitores que, ao assistirem ao filme, se decepcionam e vice-versa. Não há adaptação fiel, sempre há traição. Só de escolher uma determinada atriz para um papel já há traição”. Mas ele ressalta que o cinema foi responsável por tirar do esquecimento vários autores. “Após assistirem aos filmes, alguns espectadores se sentiam estimulados a ler ou reler os originais impressos”, observa o curador.
Além da exibição dos filmes, amanhã haverá um debate sobre o tema Obra Literária e Adaptação Cinematográfica – Sonho Possível? Na mesa, além de Laurent Desbois, estará o professor da UnB Denílson Lopes, que falará sobre o cinema nacional.