A idéia era fazer um filme sobre um monstro, mas o resultado foi o retrato de um homem, mostrando tanto o lado humano quanto o lado assassino de Idi Amin, o ditador ugandense que matou cerca de 300 mil pessoas, e a linha tênue que separava os dois lados.
Amin chegou ao poder em 1971. Expulsou os empresários asiáticos, destruiu a economia do país e provocou uma matança que fez dele o símbolo clássico do ditador africano.
Mas O Último Rei da Escócia, que estreou no Festival Internacional de Toronto esta semana, mostra Amin como um personagem bem mais complexo, capaz de se divertir e de gostar das pessoas, e também capaz de muita violência e brutalidade.
"Saí com uma nova compreensão sobre ele", disse o ator Forest Whitaker, já cotado para o Oscar por seu papel como Amin, no qual alterna a crueldade e a paranóia com o carinho por seus assessores, especialmente para o médico escocês fictício com o qual o ditador faz amizade.
"Antes eu só tinha aquela imagem de um ditador que matava tanta gente, e ela é verdadeira", disse Whitaker à Reuters numa entrevista. "Toda aquela gente realmente morreu durante seu domínio. Mas depois, quando fiz todas as pesquisas, comecei a ver outras coisas".
O diretor Kevin Macdonald falou em termos mais diretos. "Amin era o africano mais famoso da história até Nelson Mandela sair da prisão – literalmente, não havia ninguém que fosse tão conhecido no Ocidente quanto ele – e acho que isso acontecia porque as pessoas sempre o acharam atraente", disse ele.