Os criadores americanos de um documentário sobre uma menina japonesa raptada por agentes da Coréia do Norte esperam que o relato de sua história ajude a fazer um público internacional maior conhecer a difícil situação dela e de outras pessoas abduzidas.
Megumi Yokota, que desapareceu em 1977, aos 13 anos de idade, quando voltava da escola para sua casa, tornou-se símbolo dos cidadãos japoneses sequestrados por agentes de Pyongyang nas décadas de 1970 e 1980 para ajudar a Coréia do Norte a treinar espiões.
Mas um encontro que aconteceu em abril entre a mãe de Megumi, Sakie, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, em Washington, mal foi mencionado pela mídia americana, apesar de ter tido cobertura exaustiva no Japão.
"Sentimos que essa história precisava ser contada, especialmente na América do Norte, onde a maioria das pessoas nunca ouviu falar dela", disse Chris Sheridan, que, com sua mulher Patty Kim, produziu Abduction: The Megumi Yokota Story, que será exibido às famílias dos sequestrados na terça-feira.
"É uma história absolutamente chocante, e a maioria das pessoas não consegue acreditar que pode ter acontecido. Na verdade, a maioria das pessoas não acredita que tenha acontecido."
Em 2002 o líder norte-coreano Kim Jong-Il admitiu que 13 japoneses foram sequestrados. Cinco deles foram repatriados em 2002, e Pyongyang diz que os outros oito, incluindo Megumi Yokota, já morreram.
Tóquio quer mais informações sobre os oito, além de três outros cidadãos japoneses que afirma terem sido raptados. As famílias e os defensores dos sequestrados estão tentando aumentar a pressão internacional sobre a Coréia do Norte para resolver a questão e promover a volta ao Japão de quaisquer possíveis sobreviventes.
Sakie Yokota e seu marido, Shigeru, vêm lutando há anos para descobrir o que aconteceu com sua filha.
Seus esforços lhes valeram o apoio do embaixador dos EUA ao Japão, Thomas Schieffer, que visitou a cidade do norte do Japão onde Megumi foi raptada e descreveu a visita como uma das experiências mais comoventes de sua vida.
"É provavelmente isso o que mais nos atraiu nessa história: o fato de que um país foi a um outro país e roubou uma criança, levou-a embora e a manteve prisioneira", disse Sheridan.
A luta da família Yokota é a parte central do filme, que já foi exibido em vários grandes festivais de cinema dos EUA este ano.
"É uma combinação muito incomum de pessoas comuns que se vêem mergulhadas em algo surreal e fantástico, como o mundo da espionagem", disse Kim.
"É como se elas fossem samurais, combatendo todas as forças possíveis, tanto físicas quanto espirituais, e não desistindo da luta."