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Filme sobre a morte John Lennon é duramente criticado nos EUA

Arquivo Geral

03/01/2008 0h00


A crítica especializada se irritou com o provocativo filme que explora a obscura mente de Mark David Chapman, o homem que no dia 8 de dezembro de 1980 matou o ex-beatle John Lennon, em Nova York.

O filme The Killing of John Lennon (O Assassinato de John Lennon, em tradução livre), dirigido por Andre Piddington, tenta explorar a imagem do ex-beatle, um homem que se tornou um dos maiores ícones da cultura ocidental, diz a publicação especializada The Hollywood Reporter. O filme, que estreou nesta quarta-feira em Nova York, “não possui uma profundidade que possa justificar sua existência”, afirma a publicação.

The Killing of John Lennon começa com um dia na vida de Chapman, um jovem segurança de 25 anos que vive em Honolulu (Havaí), é casado com uma japonesa chamada Gloria, envergonha-se de sua mãe e odeia o pai.

Sem qualquer auto-estima, o perturbado jovem procura refúgio no romance O Apanhador no Campo de Centeio (The Catcher in the Rye), de J.D. Salinger, e acaba identificando-se com o personagem de Holden Caulfield, que não suporta a hipocrisia.

Em uma biblioteca, Chapman fixa suas atenções em um álbum de fotos de Lennon e se pergunta como um homem tão rico “pode pedir (na canção Imagine) que imaginemos que não existem posses”. Com isso, ele conclui que Lennon “é um farsante” e começa a traçar um plano para matá-lo, enquanto escuta canções dos Beatles.

Chapman viaja a Nova York, monta vigília durante dias em frente ao edifício Dakota, onde Lennon vive com sua esposa, Yoko Ono, e em 8 de novembro de 1980 acorda com uma premonição: “Hoje é o dia”. À tarde, o perturbado jovem aborda o casal na saída do Dakota e consegue que Lennon, que tinha completado recentemente 40 anos, autografe uma cópia do álbum Double Fantasy. Quando o casal volta para casa à noite, Chapman, que continua no local, cumpre sua “missão” e dispara cinco balas de calibre 38 no músico pelas costas.

Segundo o Hollywood Reporter, Piddington tenta mostrar o estado mental de Chapman com eficientes recursos de estilo, incluindo seqüências na qual o perturbado jovem imagina o assassinato de um casal homossexual.

“Mas, apesar desses esforços por dar um contexto psicológico para suas ações, Chapman continua sendo um enigma cujas motivações não têm muita explicação”, diz o jornal. A publicação, no entanto, polpa o ator Jonas Ball, que interpreta Chapman e que “soube traçar um quadro aterrorizante do assassino”.

O tradicional The New York Times é mais duro com o filme, taxado de “uma decepção total”, apesar do reconhecimento de que a obra foi tecnicamente bem feita. Stephen Holden, crítico do jornal, afirma que apesar de o filme não pedir que o espectador sinta simpatia por Chapman, obriga todos a passar quase duas horas em sua desagradável companhia. “Isso é pedir demais”, desabafa.

“Com sua grandiosidade, seu narcisismo, suas alucinações e suas bruscas mudanças de humor, Chapman se parece com um estúpido que qualquer pessoa ignoraria poucos minutos depois de iniciar uma conversa em um bar”, assinala o crítico.

The Killing of John Lennon também foi alvo de ataques no Reino Unido durante o mês de dezembro. O jornal The Mirror disse que o trabalho de Piddington é de “mau gosto”, porque “o homem que atirou no ex-beatle merece apodrecer em sua cela, e não que se façam filmes sobre ele”.

Além disso, o crítico Ian Milhar, da Bloomberg, lamentou que Chapman apareça no filme como “um certo tipo de anti-herói existencialista”, quando foi apenas “um homem muito perturbado, e possivelmente doente, que assassinou Lennon a sangue frio”.

Em sua defesa, Piddington argumenta que “o filme não condena ou absolve Mark Chapman e, embora se trate de um filme humano, não é de nenhuma maneira compassivo com ele”.

Mark David Chapman segue no presídio de Attica (Nova York), e teve seu pedido de liberdade condicional negado em quatro ocasiões devido à “natureza incomum” de seu crime.

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