Um filme novo sobre a campanha pacifista de John Lennon e as tentativas do governo dos EUA de silenciá-lo mostra o ex-Beatle como um Superman que combate o mal, mas não o santifica, diz a viúva do músico, Yoko Ono.
The U.S. vs John Lennon, que será lançado em Nova York e Los Angeles na sexta-feira, é um documentário composto de imagens de noticiários antigos de TV e vídeos caseiros raramente vistos.
O filme documenta a espionagem do FBI sobre Lennon e a batalha do músico contra as autoridades de imigração que tentaram deportá-lo nos anos 1970, em um esforço, segundo o filme, para sufocar o ativismo de Lennon contra a Guerra do Vietnã.
O crítico da revista Variety, Phil Gallo, disse que o filme faz a crônica convincente de "um artista que se manteve fiel a seus princípios por meio do ativismo", mas apontou falhas. "Ao conseguir que Yoko Ono cooperasse e abrisse seus arquivos, a trama segue a biografia aprovada por Ono que mostra Lennon como um santo, excluindo do filme seus períodos sombrios e os anos em que os dois estiveram separados, que poderiam ter tornado o retrato mais profundo", comentou Gallo. "Não acho que ele seja mostrado como santo", disse Yoko em entrevista à imprensa, citando cenas em que Lennon aparece irado ou impaciente.
"A luta que ele travou contra esses grandes poderes é quase como uma atitude muito interessante de Superman – o mal contra o bem", disse ela. The US vs. John Lennon traz entrevistas inéditas com George McGovern, o candidato presidencial democrata que perdeu para Richard Nixon em 1972, com o jornalista Carl Bernstein, que ajudou a divulgar o caso Watergate responsável pela queda de Nixon, com o ex-assessor de Nixon G. Gordon Libby e com ex-agentes do FBI.
John Scheinfeld, que escreveu e dirigiu o filme em parceria com David Leaf, disse: "No cerne de nossa história está um presidente que extrapolou os limites da ação permissível a ele, estão vigilância e escuta telefônicas ilegais e a idéia de que quem criticasse tudo isso era antipatriota. É uma idéia que nos soa familiar".