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Filme mistura realidade e ficção sobre o compositor clássico Beethoven

Arquivo Geral

22/12/2006 0h00

A nova sinfonia cinematográfica orquestrada pela cineasta polonesa Agnieszka Holland (de Jardim Secreto), O Segredo de Beethoven mergulha em um universo fictício da vida do maestro e compositor alemão que dá título ao filme e extrai o íntimo do gênio surdo do século XIX, com brilhante performance de um quase irreconhecível Ed Harris (Marcas da Violência e As Horas), tamanha sua verossimilhança com o autor erudito.

O filme não se propõe um relato histórico de começo, meio e fim da vida de Ludwig van Beethoven. Aliás, nem se compromete com começo ou meio. Começa pelo fim: sua morte, aos 56 anos de idade, no dia 26 de março de 1827, de  cirrose hepática.

Em seguida, rebobina até quatro dias da estréia da que seria sua mais famosa peça, a Nona Sinfonia. Surdo, impaciente, grosseiro e pouco higiênico, Beethoven contrata a copista com ambição a compositora Anna Holtz (papel da alemã Diane Krueger, de Tróia e A Lenda do Tesouro Perdido) para assisti-lo na reprodução das partituras para o coral, ao
passo em que cria coragem para mostrar ao maestro seu trabalho autoral.

Então, a cinebiografia com traços de docudrama envereda pelo imaginário da dupla de roteiristas Stephen J. Rivele e Christopher Wilkinson (responsáveis por Ali) e investiga o íntimo do Beethoven surdo, incompreendido e quase "louco" – o adjetivo é disparado invariavelmente ao personagem, à medida em que ele começa a criar o estilo do compositor livre, desprendido dos grilhões da formalidade.

A prepotência começa a dar lugar à humildade, devido à insegurança ocasionada pela surdez. Harris, então, encontra o Beethoven humano; aproxima o gênio da música culta libertária à platéia popular contemporânea do cinema. E este é o maior mérito de O Segredo de Beethoven, cujo título original emprega o trocadilho que justifica a trama: Copying Beethoven (ou seja, Copiando Beethoven).

Agnieszka Holland equilibra as doses encorpadas dos monólogos trágicos e melodramáticos de Harris (algumas vezes pontuados por diálogos com a frágil interpretação de Diane Krueger) e a suavidade da pauta sonora dirigida por Holland, atravessada por momentos de silêncio que permitem ao espectador investigar a mente de um mero Beethoven.

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