Selton Mello encarna o barão do pó no novo filme de Mauro Lima, diretor do infantil Tainá 2, A Aventura Continua. Baseado no livro homônimo de Guilherme Fiuza, Meu Nome Não é Johnny conta a polêmica história real do ex-traficante João Guilherme Estrella. Da infância até a maturidade, o longa-metragem mostra a trajetória de um adolescente carioca que se envolveu com drogas e foi considerado o maior traficante do Rio de Janeiro, com negócios até na Europa.
No elenco também estão Cléo Pires, no seu segundo trabalho para o cinema, Júlia Lemmertz, que interpreta a mãe do protagonista e Eva Todor, como uma inusitada vovó fornecedora de cocaína em Copacabana. Cássia Kiss também aparece, no papel de Marilena Soares, juíza que conduziu e julgou o caso do traficante.
João Estrella foi interpretado por Selton Mello, que atuou recentemente no filme O Cheiro do Ralo, de Heitor Dhalia. O ator declarou que este foi um trabalho diferente. “Pela primeira vez eu fiz um personagem real que estava do meu lado. É diferente do Cazuza que o Daniel de Oliveira fez, por exemplo. Porque nem todo mundo conhece o João, por isso eu não precisava imitá-lo. Procurei fazer a minha versão”, conta.
Foi uma interpretação bem aceita pelo próprio Estrella, que esteve presente algumas vezes nos sets de filmagem. “O livro é muito descritivo, com poucos diálogos. Acho que o roteiro que eles fizeram ficou parecido com o que aconteceu mesmo. Foi a minha realidade. Posso dizer que é 100% real”, declarou, aprovando o resultado.
Estrella está casado há quase quatro anos e atualmente trabalha como produtor musical. Ele canta uma música da trilha sonora do filme, chamada Pra Onde se Vai. Recentemente, gravou um CD com canções de sua autoria. O álbum deverá ser lançado no próximo ano. Estrella também faz uma discreta participação no filme Meu Nome Não é Johnny, numa cena gravada em um manicômio.
Mas até se dedicar integralmente à música, João teve uma adolescência de excessos, que são mostrados no filme e bem resumido na tagline do longa: “Ele tinha tudo, menos limite”. E foi na condenação que ele refez os conceitos sobre drogas, tráfico e se tornou quem é hoje. Ele é considerado um exemplo vivo do poder da recuperação de ex-condenados.
Cléo Pires participa do filme como Sofia, grande paixão de Johnny (apelido como Estrella era conhecido pelos compradores e amigos das festas constantemente realizadas pelo traficante). Contudo, ela já adianta que a personagem só acompanha o protagonista. “É um filme sobre uma história do João mesmo. Uma história de superação de uma pessoa que paga pelo erro e se torna melhor”, resume a atriz, que estava afastada das telonas desde 2003 com a estréia em Benjamin, de Monique Gardenberg. “Durante esses anos eu recebi algumas propostas e bons roteiros, mas não aceitei porque a personagem não era a minha cara”, conta. Sobre os boatos dela ser a possível nova bondgirl na próxima aventura do agente secreto 007, Cléo Pires evita falar. “Eu fiz o teste e foi muito legal. Mas assinei um contrato e não posso comentar sobre o assunto.”
Drogas
Mariza Leão, produtora do filme, explica que as drogas desempenhavam um papel diferente nos anos 80. “Fazia parte da festa, da praia. Não existia uma associação entre consumo-tráfico com a violência. É diferente dos dias de hoje”, comenta, numa alusão ao filme Tropa de Elite, que também trata do assunto do tráfico, mas com viés diferente. “Escolhi o diretor Mauro Lima porque ele teve uma visão do livro parecida com a minha. Por isso escrevemos juntos o roteiro”, conta Mariza. A produtora acredita que a produção merece ser vista por pais e adolescentes. “Pode ser o início de um diálogo na família”, sugere.
João Estrella tem viajado com a equipe da produção para fazer debates em faculdades e escolas do Brasil. “É um filme que escancara as portas. Os jovens conversam comigo, contam experiências que já tiveram, fazem perguntas e querem até saber coisas pessoais da minha vida”, revela.