A atual situação do cineasta é crítica. Além de ter deixado dívidas para a viúva, a atriz Claudete Joubert, a casa do cineasta foi invadida e teve vários equipamentos roubados. Em 2002, quando ainda estava vivo, Afonso Brazza recorreu ao Fundo de Arte e Cultura da Secretaria de Cultura do Distrito Federal (FAC), pedindo R$ 149 mil para a conclusão de sua obra, mas ganhou apenas R$ 45 mil. “Em função disso, não quis mais recorrer ao FAC e apelei logo para o edital, pois sei que a quantia seria pequena e que não iria resolver o nosso problema”, acredita Lacerda.
Fuga Sem Destino, participou de uma seleção realizada pela Secretaria de Cultura, por meio de um edital, para concorrer a um apoio financeiro de R$ 100 mil, quantia estimada para o término do filme, mas não foi classificado. “Haviam seis obras concorrendo a três vagas. O filme do Brazza não ganhou. Não concordei com o resultado, recorri e não consegui. Acho que as pessoas têm preconceito com as obras do diretor, porque ele tinha um trabalho independente”, desabafa Lacerda.
Para o cineasta, se a Secretaria de Cultura quisesse, poderia intervir de alguma forma e dar apoio. “O filme não tem qualidade para eles, e por isso foi deixado de lado. A Secretaria de Cultura está se esquecendo que o Brazza é patrimônio cultural da cidade e, em função disso, deveria receber o mínimo apoio, seja ele qual for”. Segundo a cineasta, Cibele Amaral, amiga de Brazza, a condição é um caso à parte. “Ele não vai ter a oportunidade de terminar sua obra. Acho que a Secretaria de Cultura deveria relevar de alguma forma, levando em consideração a história e o currículo do diretor”, questiona.
De acordo com o diretor do Pólo de Cinema de Brasília, Fernando Adolfo, o filme não foi classificado por não possuir condições técnicas necessárias. “Não tem como a secretaria intervir em um processo desses, um edital não pode ser violado, seria ilegal. O secretário de Cultura não tem como fornecer dinheiro como forma de apoio. As opções são claras, ou é por meio do edital ou pelo FAC. O Pedro escolheu a opção dele, mas não foi contemplado”, esclarece.
Adolfo diz ainda, que a seleção do júri foi realizada pela Secretaria de Cultura, e reuniu profissionais e entendidos de cinema, entre cineastas, críticos e apreciadores.
Lacerda insiste em reverenciar Brazza e planeja novas ações para a preservação de sua memória, como a criação da Fundação Afonso Brazza. “Não será só para guardar os materiais e equipamentos restantes do cineasta, mas também para tornar acessível ao público a história e as obras dele”, emenda.
Serviço
Fundo Afonso Brazza – Leilão de guitarra autografada por artistas que participaram do Porão do Rock em andamento no site www.mercadolivre.com.br. Doações espontâneas podem ser feitas à conta poupança do cineasta, no Banco do Brasil, agência 3476-2, conta 10221683-5, variação 01.