O enredo trata do tema velhice, focado na relação entre mãe e filha. O filme mostra uma tragédia inevitável e angustiante que acontece em meio ao isolamento que discretamente faz parte da vida dessas pessoas. Ao mesmo tempo, aproxima o espectador de momentos de cumplicidade, dedicação e afeto, contradizendo assim o primeiro olhar de tragédia.
Segundo a cineasta Adriana Vasconcelos, a idéia do enredo surgiu quando ela viu uma notícia de jornal contando a história de uma pessoa idosa que foi encontrada morta depois de três dias. “Como uma pessoa morre e demoram três dias para sentirem falta dela? O pior é que percebi que existiam muitos casos assim”, afirma a diretora.
“Gosto de focar minhas histórias no cotidiano, em pessoas comuns. E isso é uma realidade, pois a população está ficando cada vez mais velha. Mas eu sempre tive um pé no drama”, completa. Ainda segundo Adriana, o filme estará focado nas relações entre pessoas e nos sentimentos.
As filmagens tiveram várias cenas externas. “Fizemos uma externa com sete andaimes em três andares de um prédio, com gruas e auxílio do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar. Foi digno de uma superprodução”, afirma a cineasta que diz nunca abrir mão da qualidade de seus filmes para poder baratear os custos.
Segundo ela, os investimentos giram em torno de 110 mil reais, sendo 70 mil recebidos do FAC no início do ano passado. “O FAC foi fundamental. Ele vem sendo o único fomento para quem quer fazer cinema em Brasília. E com a vinculação do fundo a receita líquida do DF ficará ainda melhor”, elogia Adriana.
O Pólo de Cinema foi escolhido pela necessidade de um grande espaço em estúdio. “A alma do filme é o quarto. O estúdio me possibilita coisas que um quarto comum não me dá, então optamos pelo Pólo” diz a cineasta.
Mais de 30 pessoas estão envolvidas neste projeto. Entre elas, a protagonista Berta Zemel. No seu currículo, filmes como ‘A Casa de Alice’, ‘Desmundo’ e ‘O Casamento de Romeu e Julieta’. “Nem sei bem como a Adriana me achou. Só sei que ela me mandou o texto, eu li e me apaixonei”, afirma a atriz que chegou a Brasília de ônibus por ter medo de avião. “Estou amando fazer este filme. A Adriana tem uma visão tão humana das coisas. Isso é um talento raro”, completa Berta.