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Filme de Paul Auster e crítica à televisão marcam Festival de San Sebastián

Arquivo Geral

24/09/2007 0h00

O 55º Festival Internacional de San Sebastián, na Espanha, exibiu o novo filme do escritor americano Paul Auster e o longa do alemão Hans Wingarten, que faz uma crítica à qualidade dos programas de televisão.

Auster exibiu hoje seu segundo filme como diretor, The Inner Life of Martin Frost, onde narra a relação entre um autor e sua musa, em uma trama labiríntica. O longa foi definido por ele como “uma história sobre um homem que escreve uma história sobre um homem que escreve uma história. É a história dentro da história”.

A trama – que não agradou à crítica – mostra um escritor, fechado em uma casa afastada do mundo, que acorda um dia ao lado de uma misteriosa mulher da qual não sabe nada e que acaba amando terrivelmente, sem perceber que ela é a musa do seu conto, que vai morrendo à medida que ele vai terminando de escrever.

Todas as constantes da literatura de Auster estão presentes neste segundo longa como diretor, após Lulu on the Bridge, de 1988. Três anos antes, o americano emprestou seu roteiro a Wayne Wang para rodar o premiado Smoke, de 1995, e escreveu, roteirizou e co-dirigiu com o cineasta chinês Blue in the Face (1995).

“Quis modelar um enfoque poético sobre o processo criativo”, disse Auster à imprensa após a exibição, onde explicou que o roteiro foi escrito em 1999 e concebido como “uma pequena obra de câmera”.

Da mesma forma que em sua literatura, Auster combina cenas dramáticas, tendo como base o casal protagonista – interpretado por David Thewlis e Irène Jacob – e outras carregadas de humor, nas quais se destacam sua filha, a atriz e cantora Sophie Auster, e o ator Michael Imperioli.

“Mostro como um escritor pensa e, embora realmente não aconteça nada, os eventos são cada vez mais absurdos”, comentou Auster, que faz a narração e revela que, no fim, “tudo acontece na mente do autor”. Daí o título, A Vida Íntima de Martin Frost, um personagem que o escritor americano usa para “examinar o amor e a paixão”.

A mostra competitiva teve ainda a exibição de Reclaim your Brain, terceiro filme do alemão Hans Wingarten, conhecido por Edukators (2004). O longa é uma sátira sobre a televisão e fala de um jovem produtor que construiu sua bem-sucedida carreira à base de programas de baixa qualidade e que se vê à beira do colapso em função das drogas.

Em sua vida aparece uma mulher que busca vingança pelo suicídio do avô devido a informações falsas divulgadas em um dos seus programas. E quando ela bate seu carro contra o do produtor, sua vida sofre uma guinada.

O rapaz decide empreender uma revolução, manipulando os índices de audiência, até obrigar os executivos a oferecerem uma programação inteligente. E, desta forma, liberar seu país dos programas de baixa qualidade e conseguir viver uma dourada e utópica felicidade.

“A princípio, pensei em fazer um thriller sobre a teoria da conspiração, quando o herói descobre que os números dos índices de audiência são falsos e então começam a persegui-lo”, disse Weingartner.

“Não se pode entender que haja tantas leis para proteger nosso corpo, mas não nossa mente”, comentou. Weingartner disse que os diretores de sua geração, que formam o “novo cinema alemão”, “são muito emocionais”. Isso é algo positivo, após anos dominados por um cinema “intelectual”, acrescentou.

“Eu quero fazer filmes inteligentes, com uma mensagem, mas divertidas; não esses catalogados como intelectuais e que são terrivelmente chatos”, ressaltou.

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