As patricinhas brasileiras também choram. O universo delas realmente não é muito diferente das bem-nascidas de Nova York. Tal constatação pôde ser feita pelo diretor Luiz Montes, que prepara o filme Azul Profundo, premiado pela Prefeitura de São Paulo para desenvolvimento de roteiro de longa-metragem.
O filme conta a história de um jovem impostor que freqüenta a alta-sociedade paulistana e, se fazendo passar por um rapaz rico, seduz garota e planeja dar um golpe em sua família.
Para preparar o roteiro de Azul Profundo, Montes pesquisa o dia-a-dia das gossip girls tupiniquins. “Elas usam as mesmas roupas de grife das européias e americanas, viajam muito no circuito Roma-Paris-Nova York, estudam também nos melhores colégios e se preocupam extremamente com a aparência”, comenta Montes, que não pensou em fazer um documentário sobre este universo por acreditar ser extremamente difícil arrancar declarações da nossa chamada classe A. “Uma ficção, mesmo que calcada em muita pesquisa, é menos complicada”.
Mas, qual o assunto mais difícil de abordar? “Por incrível que pareça, elas falam de drogas e sexo com naturalidade. Na verdade, se falar do assunto é considerado cool, faz bem para a imagem, é fácil extrair respostas. Mas, quando perguntamos sobre dramas e fracassos pessoais e brigas com a família, por exemplo, tendem a se calar”, revela.
VaidadeO que mais poderia diferi-las das demais brasileiras?” A vaidade, o culto extremo à imagem. Há uma grande preocupação em se forjar uma imagem positiva. Se dizem, por exemplo, que fazem trabalho voluntário, é muitas vezes porque é cool e não porque isso as faça felizes”, filosofa.
Apesar de o universo do luxo ser de interesse de Montes, que já dirigiu curtas premiados, este vai ser pano de fundo para o filme. “Na verdade, meu longa terá mais tom de suspense. A pesquisa é necessária para dar verdade à ficção”.