O filme americano “A Thousand Years of Good Prayers”, do diretor Wayne Wang, ganhou hoje a Concha de Ouro do 55º Festival de Cinema de San Sebastián, na Espanha. O filme do diretor americano, cuja origem é Hong Kong, também ganhou outro prêmio: a Concha de Prata de melhor ator, para Henry O.
O equivalente feminino desse prêmio foi para a espanhola Blanca Portillo por seu papel em “Sete mesas de bilhar francês”, de sua compatriota Gracia Querejeta.
Querejeta também levou o prêmio juntamente com David Planell de melhor roteiro por “Sete mesas de bilhar francês”, honra dividida com o americano “Honeydripper”, de John Sayles.
Outro que figurava em todas as apostas era o iraniano “Buddha Collapsed Out of Shame”, um retrato dos sucessivos massacres perpetrados contra o povo afegão através dos olhos de uma menina. O filme da diretora Hana Makhalbaf ganhou o Prêmio Especial do Júri.
Mais um filme baseado em um massacre real – desta vez no Iraque – é “A batalha de Haditha”, do britânico Nick Broomfield, que venceu o prêmio por melhor direção. O de melhor fotografia foi para a cibernética posta em cena por Charlie Lam em “Exodus”, do diretor de Hong Kong Ho-Cheung Pang.
O prêmio Horizontes Latinos – concedido pelo Ministério de Assuntos Exteriores e de Cooperação espanhol e dotado com € 35 mil – foi para o filme uruguaio “O banho do Papa”, dirigido por Enrique Fernández e César Charlone.
O Júri concedeu duas Menções Especiais: uma ao filme mexicano “Pálpebras azuis”, de Ernesto Contreras; e outro ao colombiano “Satanás”, de Andrés Baiz.
Paul Auster, presidente do júri, leu a lista de vencedores após explicar que os nomes escolhidos foram fruto de uma discussão de “mentes abertas”. Eduardo Noriega, membro do júri, explicou a um grupo de jornalistas que, apesar da unanimidade na escolha dos ganhadores das principais categorias, não foi assim que ocorreu com todas.
Mais de cinco horas de reunião foram necessárias para chegar aos nomes que foram resultado – segundo confessou à agência Efe outro membro do júri que não quis ser identificado – de “árduas e complexas discussões” nas quais não foi nada fácil chegar a um acordo.
O maior ponto de atrito esteve nos prêmios para melhor fotografia – o mais discutido, segundo Paul Auster – e o de direção.
Noriega quis louvar a postura de Paul Auster como presidente do júri ao conceder a Concha de Ouro a Wayne Wang, que introduziu no cinema filmes míticos com “Smoke” e “Blue in the face”. Auster e Wang não se falam há sete anos.
Antes de ver o filme, o próprio Auster prometeu a um grupo de jornalistas “a máxima objetividade” diante da obra de Wang e desejou que fosse “um excelente filme”.
Wang disse à imprensa que confiava cegamente no critério de seu velho amigo, enquanto deixava transparecer o desejo que um dia ele e Auster voltassem a se encontrar.
“Paul gostou muito do filme de Wang e disse que a arte sempre estava acima de tudo. É algo que diz muito sobre ele e muito pouco das suspeitas que levantaram”, disse Noriega.
A atriz argentina Susú Pecoraro, também membro do Júri, explicou à Efe que a escolha da Concha de Prata para melhor interpretação feminina foi um árduo trabalho. “Pensamos em empate até mesmo entre mais de duas atrizes”, disse. Depois destacou que “para aqueles que não conheciam Blanca Portillo, seu trabalho foi uma descoberta. Desta maneira, quisemos deixar isso patente”.