O novo filme inspirado na literatura ficcional de Phillip K. Dick (autor de Blade Runner e Minority Report), O Pagamento, foge do cinema de ficção convencional, mas peca na escalação do elenco que, apesar de formado por figuraças de Hollywood (Ben Affleck e Uma Thurman), não supre as espectativas. Affleck pode ter se saído bem como o super-herói cego Demolidor, mas, no papel do gênio em engenharia de computadores Michael Jennings, não convence ao fazer o tipo galã-bom-de-briga nessa película do japonês John Woo. A musa de Quentin Tarantino, Uma Thurman, também fica fora de foco ao interpretar a mocinha – um papel pouco importante que omite o talento da atriz consagrada por Pulp Fiction. O argumento do filme, porém, é o grande trunfo da produção. Clichês à parte, Woo acerta em dosadas e intensas cenas de ação somadas à intrigante história de Jennings, mestre da computação que, rotineiramente, faz trabalhos ultra-secretos e tem apagada a memória referente ao tempo em que desenvolveu cada projeto. Jennings nunca havia se aventurado num trabalho que durasse mais de dois meses. No entanto, ele não resiste à tentadora oferta de receber uma cifra próxima a US$ 100 milhões para uma empreitada que duraria três anos. Com a memória desse período extenso apagada, o engenheiro não recebe o dinheiro e descobre que teria aberto mão dos milhões em troca de 20 pequenos objetos.