A Mostra Oficial do 16° Festival de Teatro de Curitiba foi aberta na noite de quinta-feira com uma adaptação do clássico Os Dois Cavalheiros de Verona, do cultuado dramaturgo inglês William Shakespeare. O espetáculo é encenado pelo grupo Nós do Morro, que promove, há 21 anos, um trabalho de inclusão artística com moradores do Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro.
A peça conta a história de dois nobres cavalheiros de Verona, Valentino e Proteu, que se apaixonam por Sílvia, a filha de um poderoso Duque de Milão. Ao perceber que a bela jovem também se encantou por seu amigo, Proteu arquiteta um plano para expulsar Valentino da corte.
Apesar da origem européia, Os Dois Cavalheiros de Verona recebeu uma roupagem tupiniquim. A comédia romântica é toda costurada com músicas em ritmos tradicionalmente brasileiros, como o samba e o forró, e ousa ao acrescentar o coco, dança típica de cidades praianas das regiões Norte e Nordeste, além da batida inconfundível do funk carioca.
A atuação do elenco do grupo Nós do Morro é, no geral, consistente, apesar do melhor desempenho da ala masculina e da direção linear de Guti Fraga, Fátima Domingues e Miwá Yanagizaua. Destaque para os talentosos Diogo Sales, no papel do hilário cachorro Siri e à frente dos instrumentos de percussão, e para Thiago Martins, que interpreta Valentino e tornou-se conhecido nacionalmente ao viver a personagem Tadeu, da novela global Belíssima.
O figurino, composto por tecidos de várias cores e tamanhos funciona muito bem e ajuda a compor o cenário da peça.
Os Dois Cavalheiros de Verona foi o único espetáculo brasileiro a participar de um festival realizado em agosto do ano passado pela Royal Shakespeare Company para homenagear o escritor inglês. Os aplausos calorosos em Stratford-upon-Avon, cidade natal de Shakespeare, e no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, em Curitiba, é um sinal de que os jovens atores do Nós do Morro agradaram.
*O repórter viajou a convite da organização do evento