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Festival de Curitiba: Basirah experimenta limites do corpo

Arquivo Geral

24/03/2007 0h00

Experimentar os limites e explorar as linguagens corporais. Com essas provocações, o Basirah – Núcleo de Dança Contemporânea montou, em 2005, o espetáculo De Água e Sal, um dos representantes do Distrito Federal no 16° Festival de Teatro de Curitiba.

A bailarina e diretora do espetáculo, Giselle Rodrigues conta que projeto foi pensado coletivamente e que, apesar de estruturado, não segue um roteiro fixo. "É um momento de analisar e conhecer o corpo e isso depende do estado de cada bailarino na hora da apresentação", conta.

Segundo Giselle, o espetáculo traz naturalmente uma mistura de dança com teatro. "A expressão corporal também é uma voz e o diálogo dos movimentos vai se transformado em material cênico", completa. "Fica essa dúvida se fazemos dança ou teatro e acabamos ficando meio marginais", comenta Lívia Frazão, bailarina do grupo Basirah.

Em De Água e Sal, a ousadia em cada construção de sentido dos movimentos chama a atenção e causa diferentes reações na platéia. "A pessoa pode assistir e não gostar, mas dificilmente ela escapa ilesa ou fica indiferente. Todo o processo é um desnudar de você mesmo e isso toca a platéia", aposta Márcia Lusalva, integrante do grupo brasiliense. A inquietação do público acontece porque o palco tem a proposta de ser um
laboratório de percepções das habilidades físicas e psicológicas do elenco sem pudor algum e isso torna imprevisível o resultado de cada apresentação.

A performance no Fringe, uma das mostras paralelas do Festival de Teatro de Curitiba, é a terceira que o grupo faz fora de Brasília e, de acordo com Giselle Rodrigues, é uma oportunidade de grande importância para testar a medida real do impacto que o espetáculo tem. "Em Brasília, o Basirah tem um público cativo e muito carinhoso conosco e isso pode interferir na opinião final sobre a encenação", comenta a diretora.

O desafio do grupo de Brasília, no entanto, não está apenas no palco. Levar o De Água e Sal para apresentações para outros lugares do Brasil também é considerado uma das grandes dificuldades do projeto. O Basirah está na capital paranaense com o apoio da Caravana Funarte e do Ministério da Cultura, porém a ida a festivais é cada vez mais difícil. "Estes eventos, principalmente os de dança, investem mais em performances solo, em dupla ou em trio, mas eu não me rendo a isso porque o nosso objetivo não é
simplesmente vender para o mercado", conclui Giselle.

*O repórter viajou a convite da organização do evento.

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