A festa do cinema argentino foi aberta pela presidente do país, Cristina Fernández de Kirchner, que agradeceu o compromisso dos atores e produtores do país e ofereceu o apoio do Estado à indústria cinematográfica nacional.
“O cinema é um instrumento muito importante. Devemos voltar a aproveitá-lo”, disse Cristina, convencida de que o país tem agora uma “chance extraordinária” de recuperar a “era dourada” do cinema argentino.
“O Estado vai fornecer tudo o que tiver que fornecer para conseguir isso”, frisou.
“Temos uma programação muito boa, muito variada, dá para todos os gostos”, destacou, por sua vez, o realizador José Martínez Suárez (Dar la Cara), que pela primeira vez comanda o Festival de Mar del Plata, após a experiência como diretor do Festival de Cinema de Buenos Aires.
A cerimônia de abertura incluiu ainda uma homenagem ao diretor argentino Leonardo Favio (Crónica de Un Niño Solo), com a estréia de Aniceto, um remake do filme “El romance de Aniceto e la Francisca” (1966), que, segundo Martínez Suárez, estabeleceu um marco na história do cinema argentino.
O público lotou o Teatro Auditório da cidade, sede principal do festival, para assistir ao novo longa, um musical que conta a história de um dono de galo de briga cuja vida muda quando se vê envolvido em um triângulo amoroso.
Após a abertura, o festival teve início com a projeção de The Hurt Locker, da produtora americana Kathryn Bigelow e que traz um olhar sobre a guerra no Iraque sob a perspectiva de um jornalista americano.
O filme, que estreou mundialmente no Festival de Veneza deste ano, é baseado nas experiências do jornalista Mark Boal, que em 2004 acompanhou um esquadrão de explosivos das Forças Armadas americanas no conflito.
Bigelow (K-19: The Widowmaker) explicou hoje que se interessou pelo tema porque “não há informações suficientemente sobre o conflito, sobretudo nos Estados Unidos”.
O Festival de Mar del Plata, cidade que fica cerca de 400 quilômetros ao sul de Buenos Aires, exibirá 400 produções de 46 países. Além disso, terá como estrela convidada o ator e diretor americano Tommy Lee Jones, que amanhã apresentará Os Três Enterros (2005).
Surgido em 1954, durante o Governo de Juan Domingo Perón, o evento só se tornou internacional cinco anos depois.
Em seus anos de esplendor, o festival teve a honra de receber nomes como Errol Flyn, Mary Pickford, Joan Fontaine, Edward G. Robinson, Gina Lollobrigida, Paul Newman, Pier Paolo Pasolini e François Truffaut.
No entanto, a mostra entrou em decadência e passou 26 anos sem ser realizada, até que, em 1996, foi retomada, mantendo sua periodicidade anual.
Nessa segunda fase, o evento não conseguiu alcançar os níveis das décadas de 50 e 60, embora também tenha atraído personalidades de peso, como Susan Sarandon e Tim Robbins, em 2006.
Na edição deste ano, que teve sua data mudada de março para novembro, Hollywood estará presente em Mar del Plata nas figuras de Tommy Lee Jones e de Edward James Olmos, cuja chegada está prevista para os próximos dias