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Festival de Cannes termina e filme romeno recebe a Palma de Ouro

Arquivo Geral

27/05/2007 0h00

No fim as previsões se concretizaram e o 60º Festival de Cannes coroou hoje com a Palma de Ouro o modesto e magnífico filme romeno 4 luni, 3 saptamini se 2 zile, de Cristian Mungiu, enquanto Carlos Reygadas levou para o México um Prêmio do Júri por seu Stellet Licht.

Favorito desde o começo para grande parte da crítica, o filme de Mungiu lidava com a dúvida sobre se o festival mais famoso do mundo teria o valor de optar por um desconhecido para lançá-lo ao Olimpo, principalmente numa edição tão especial como a deste ano.

“Esta Palma de Ouro é uma boa notícia para a pequena cinematografia de um pequeno país”, declarou Mungiu ao receber das mãos de Jane Fonda o prêmio pela história sobre duas mulheres envolvidas num aborto clandestino na Romênia comunista. Seu título pode ser traduzido como “Quatro meses, três semanas e dois dias”.

Mungiu, ex-professor e jornalista que estreou como diretor com Occident (2002), recebeu a glória máxima numa noite muito generosa em prêmios, já que o júri presidido pelo diretor britânico Stephen Frears concedeu vários prêmios ex-aequo (por mérito) e um surpresa, o prêmio 60º Aniversário.

Este último não só foi notícia por ser anunciado no último momento, mas por seu ganhador, o americano Gus Van Sant, que recebeu uma Palma de Ouro por Elephant há quatro anos e que agora foi pouco acolhido com Paranoid Park.


 


Muito menos surpreendente foi que dois filmes merecedores compartilharam o Prêmio do Júri: Stellet Licht (Luz silenciosa), do mexicano Carlos Reygadas, e o francês Persepolis, de Marjani Satrapi e Vincent Paronnaud.

Reygadas, que com este filme narra uma história de amor em uma comunidade menonita, completa sua boa seqüência em Cannes, após concorrer ao prêmio máximo em 2005 com Batalha no Céu e receber uma menção especial à Câmara de Ouro em 2002 com Japão.

O sucesso mexicano não parou aí, já que sua compatriota Elisa Miller levou com Ver chover o prêmio de melhor curta-metragem, categoria na qual receberam menção especial o neozelandês Run, de Mark Albiston, e Ah Ma, de Anthony Chen.


 


Também não falharam as previsões que apontavam para algum reconhecimento do japonês Mogari no mori, de Naomi Kawase, que ganhou o Grande Prêmio por este belo e profundo filme que se passa, na maior parte do tempo, numa floresta e recebeu o título The Mourning Forest, em inglês.

Também seria estranho se o pintor e cineasta americano Julian Schnabel saísse de mãos vazias. Ele levou o prêmio de melhor diretor por seu primeiro filme em francês, Le scaphandre et le papillon, uma deslumbrante adaptação do livro homônimo de Jean-Dominique Bauby.


 


Bauby, que ficou paralisado por causa de uma embolia até só poder se comunicar piscando um olho, conseguiu escrever sua obra, cuja adaptação à tela serviu para reconhecer o talento de Schnabel, responsável pela indicação ao Oscar do espanhol Javier Bardem Antes do Anoitecer (2000).


 


Bardem, que graças a seu papel de assassino no filme dos irmãos Coen No Country for Old Men, aparecia até hoje mesmo como forte candidato ao prêmio de melhor ator em Cannes, que acabou sendo entregue ao russo Konstantin Lavronenko por The Banishment.

O diretor do longa, o russo Andrei Zvyagintsev, recebeu a premiação em nome do ator, que não pôde comparecer à cerimônia. O júri voltou a dar credibilidade à previsão ao reconhecer como melhor atriz a sul-coreana Do-yeon Jeon por seu papel de mãe que vive uma profunda transformação espiritual em Secret Sunshine, de Lee Chang-dong.

Quem viu suas expectativas reduzidas foi o cineasta alemão de origem turca Fatih Akin, ganhador há quatro anos do Urso de Ouro em Berlim com Gegen die Wand (Contra a parede) que agora teve que se conformar com o prêmio de melhor roteiro em Cannes por Auf der Anderen Seite.

Por último, o prêmio Câmara de Ouro para a melhor estréia exibida em seções oficiais e paralelas do Festival foi para o israelense Meduzot, de Etgar Keret e Shira Geffen, com menção especial a Control, do holandês Anton Corbijn.


 


Foi uma noite de prêmios muito bem distribuídos que tornou válidas as palavras de Jane Fonda ao apresentar a Palma de Ouro: “Aqui cineastas de todos os horizontes podem se expressar, o Festival nos oferece esse maravilhoso presente há sessenta anos e desejo que continue por muito tempo”.

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