Algumas qualidades tornam Fernanda Abreu e Negra Li semelhantes: ambas trabalharam como backing vocal, no início da carreira, e enveredaram por uma linha musical percussiva, dedicada à rima e ao suingue. A despeito de uma ser carioca e a outra, paulista – e dos estilos bem diferentes –, elas se completam em harmonia. Por isso, talvez, as cantoras dividem o palco do Salão Social da AABB na noite de sábado, a partir das 22h. “Não tenho uma parceria com a Negra Li, mas curto o seu som; vai ser uma oportunidade de ver o que rola no show dela”, diz Fernanda, que faz o segundo espetáculo da noite.
Respectivamente embaixatriz do funk e estrela do hip hop, Fernanda e Negra Li apresentam ao público brasiliense o repertório de seus novos trabalhos: MTV ao Vivo e Negra Livre. Antes, o grupo brasiliense de percussão Batala, formado exclusivamente por mulheres entre 18 e 40 anos, esquenta o público. O som mecânico no evento fica por conta dos DJs Garu, Ocimar e Leo.
A carioca sangue-bom promete fazer um passeio pelo repertório de toda a carreira em sua performance – animada por indefectíveis coreografias dos grupos Bonde do Magrinhos, Bonde das Fogosas e Black Brothers. Até mesmo o hit A Dois Passos do Paraíso, dos tempos em que Fernanda era backing vocal na Blitz, vai entrar no set list.
“Quando iniciei a minha carreira solo, em 1990, vim com um som autoral e bem diferente da Blitz; por isso nunca havia incluído nenhuma musica da banda em repertórios de disco ou show. Porém, com o MTV ao Vivo, achei que era o projeto certo para homenagear a minha primeira banda”, justifica a cantora, que promete ainda Rio 40 Graus, Jorge da Capadócia, Baile Funk, Dance Dance e referências ao funk “proibidão” carioca. “Me orgulho muito do meu trabalho, mas também do funk que eles produzem nos morros; o funk carioca será a música eletrônica das pistas do mundo inteiro no século XXI”, atesta.
Já Negra Li – também conhecida por interpretar Preta no filme e minissérie Antônia – chega a Brasília com um show de pegada hip hop e r&b. Ela inclui no repertório os versos do rapper paulistano Lino Crizz, dos cariocas do Dughettu e de Helião, ex-parceiro de palco da cantora. Negra Li, a compositora, solta o verbo em seis das 14 faixas previstas, muitas delas escritas ainda nos tempos do trio de rap RZO (Rapaziada Zona Oeste).