Aos 42 anos, Maria Padilha, a Hilda de Mulheres Apaixonadas, tem uma certeza: “Hoje em dia, não escolheria ser atriz. A profissão está sem glamour e charme, muito qualquer nota. Não há o encanto das peças que eu vi na época em que comecei a fazer teatro”. Apesar do desencanto, Maria não se arrepende da escolha. “Tive sorte, contracenei com pessoas incríveis”, diz a atriz, que abandonou a faculdade de Desenho Industrial no fim do segundo ano. “Não sei se trocaria agora”. Nada, no entanto, que represente uma grande decepção. “Admiro os jovens que compram essa onda. A arte está com pouco espaço. A fase é das aparências. Acho chato e pobre. O importante é ser fashion. Mas não é uma coisa que acontece apenas no Brasil. O movimento é mundial”, opina a atriz, que em sua estréia na televisão já criou polêmica, fazendo topless na novela Água Viva, de Gilberto Braga. “Minha geração fez muita aula de dança e canto. Tinha a ambição de ser um ator completo. As pessoas não se preocupavam apenas com as luzes e a cor do cabelo”, lamenta. O desencanto nada tem a ver com sua Hilda, na novela das oito. Até porque, no mosaico de mulheres criado por Manoel Carlos, chegou a vez de Maria Padilha brilhar. “Hilda vai ter um conflito. Não é com o marido, mas também é”, despista a atriz, que chegou a ser cogitada para o papel de Heloísa, a ciumenta vivida por Giulia Gam. “Manoel Carlos ficou na dúvida. Mas para mim foi muito bom ficar com a Hilda, porque sempre fiz muitas maluquinhas”, admite Maria, que pode ser vista à tarde na reprise da novela O Cravo e a Rosa, no papel da tresloucada Dinorah, e em agosto estará na reprise de Anjo Mau – próximo título do Vale a Pena Ver de Novo –, como Estela. “No começo, achei superdifícil fazer a Hilda. Eu me perguntava como alguém pode ser tão feliz e sem problemas”, relembra. “Agora, acho totalmente crível. Apesar de ter tido medo de que ela ficasse uma chata. Aquela que diz sempre a coisa certa na hora certa. Mas acho que não ficou”, acredita Maria. “Além disso, nunca achei que nas cenas a Hilda fosse dispensável. Ela tem uma coisa interessante de expor as opiniões. O personagem é bem coerente”, argumenta. “Na primeira reunião, Manoel Carlos avisou que mudaria o foco ao longo da trama e os protagonistas passariam a coadjuvantes. Teríamos que ser generosos”. O fato de Maria Padilha defender as opiniões de Hilda e a força das mulheres na novela das oito, não quer dizer que ela acredite que as mulheres chegaram ao poder. “Na história, nenhuma delas é independente dos homens”, ressalta. “Olha o mundo! Em termos políticos, o macho, adulto, branco, dá as cartas há mil anos”, afirma a atriz, que há seis meses namora o músico Luiz Eduardo Amaral, e garante: “Já pensei em ser mãe várias vezes e ainda penso em ter filhos”.