Greve de médicos e lentidão no atendimento nos hospitais públicos, crianças vivendo nas ruas e burocracia policial. Parece o noticiário de qualquer telejornal, mas são, na verdade, alguns dos temas da vida real abordados em Da Cor do Pecado. Lita (Solange Couto) morre, hoje, vítima de um enfarte, mas antes sofre com a demora no atendimento hospitalar.
“A novela traz essa informação nova: personagens pobres urbanos sem serem estilizados. Isso, obviamente, é intencional, e faz com que muitos telespectadores se vejam na tela”, diz o autor da trama, João Emanuel Carneiro, que sabe como poucos retratar a dura realidade do país – ele é um dos roteiristas do premiado Central do Brasil. “A novela tem um pouco da marca do filme”, diz.
A direção da novela também tem tratado as cenas dramáticas com muito cuidado. Durante o parto de Preta (Taís Araújo), que foi feito dentro de um ônibus por conta de uma greve num hospital público, o diretor Paulo Silvestrini pediu muita atenção de todos os atores. “Foi emocionante mostrar a dificuldade de não ter plano de saúde no Brasil”, diz Taís Araújo.
Da Cor do Pecado também trata de racismo. Nesta semana, Afonso (Lima Duarte) disse com todas as letras que não promoveu Felipe (Rocco Pitanga) porque o rapaz é negro.