As maldades de Ramiro, personagem de Luís Mello em América, vão parecer fichinha agora que JK já estreou. Isso porque o ator interpreta o malvado coronel Licurgo, que vai, entre outras coisas, obrigar o filho Zinque (Dan Stulbach) a desistir de ser padre e a se casar com uma prostituta para “perpetuar o sobrenome da família”.
Será que a sina de Mello é viver gente de mau caráter? “Tinha prometido não fazer mais vilões depois de América”, conta. “Mas Licurgo é um grande presente e voltei atrás. Apesar de ser um personagem fictício, ele representa o coronelismo mineiro que havia no início do século passado”.
Licurgo é especialista em fazer os outros sofrerem. Além de espancar o filho para que ele transe com uma prostituta, o coronel trai a esposa, Maria (Cássia Kiss), com as mulheres do malfalado Cabaré de Olímpia.
Com tudo isso, ele ainda posa de um cidadão muito religioso – aliás, compreensivelmente suspeito no excesso de zelo a princípios morais. O ator comenta: “Apesar de toda a violência e maldade, Licurgo tem medo do castigo divino. O coronel tem visões e fica perturbado com isso”.
Uma das prostitutas com quem Licurgo mantém relações sexuais é Madalena (Ana Cecília da Costa). E é justamente ela quem se muda para a fazenda e se casa com Zinque. Já casada, Madalena engravida de Licurgo, mas Zinque assume a paternidade da criança. Tentando fugir do assédio do coronel, ela se mata num rio, observada por Licurgo e pelo filho dela, Antenor (Lucci Ferreira):
Licurgo verá Madalena se afogando, mas não irá salvá-la. “Ele apenas segura as mãos do filho, que assiste à cena e tenta entrar no rio para resgatar a mãe”, conta Luís Mello. “Depois do episódio, o menino fica mudo”. Na seqüência da morte de Madalena, foi preciso usar dublês, que entraram na água para simular o afogamento no rio. Para compor a cena, também foi necessário criar uma chuva artificial.
fúriaNinguém segura a ira do arrogante coronel Licurgo. Marcos Soares, que está à frente de sete profissionais na equipe de efeitos especiais, conta que até o chicote usado por ele é cenográfico, para não machucar as pessoas.
Na cena em que o coronel se descontrola e quebra a sala de sua casa, foram preparadas mais de 30 peças, como moringas e abajures. “Isso permite que o ator interaja na cena com os objetos sem nenhum risco”, conta Soares.
Luís Mello pesquisou muito sobre o coronelismo para viver seu personagem. “Li vários livros para compor Licurgo. E a gente ainda vê pessoas como ele espalhadas pelo Brasil afora”, observa.