Duas galerias de arte de Nova York fecharam as polêmicas exposições que o artista colombiano Yazmany Arboleda dedicou aos pré-candidatos democratas às eleições presidenciais americanas Hillary Clinton e Barack Obama, após medidas legais.
The Assassination of Barack Obama e The Assassination of Hillary Clinton são os controversos títulos das duas mostras com as quais o artista colombiano quis denunciar “o linchamento público que recebe diariamente a reputação dos candidatos democratas nesta corrida histórica rumo à Casa Branca”, segundo explicou à Agência Efe.
Fotografias, pinturas, criações tridimensionais e cartazes que contêm expressões racistas, dirigidas ao senador por Illinois, e sexistas, para a ex-primeira-dama, são elementos que podiam ser encontrados até esta semana nas galerias Naomi Gates e Leah Keller, em Nova York, que decidiram fechar as duas exposições menos de um mês após sua abertura.
Por meio de um simples comunicado em suas páginas na internet, as galerias explicam que as mostras, que só se podiam ser visitadas com agendamento prévio, se encontram “temporariamente fechadas” até o resultado do processo legal aberto contra a obra do autor.
Parece que a vontade inicial do colombiano – “um democrata convicto”, segundo se auto-descreve, não foi muito bem recebida.
Para Arboleda, este é um caso de “censura” provocado por alguém ligado aos “grandes poderes”, que não gostou que, entre outras coisas, sua obra fale “sem tabus” da possibilidade de que uma mulher ou de um negro cheguem à Presidência dos Estados Unidos.
“Parte de minha arte é provocação e estas são mostras bem provocativas. Utilizei as más palavras e os maus pensamentos que diariamente são usados neste país para se referir a Hillary e a Obama”, explicou o artista.
Segundo o colombiano, as exposições abordam temas como “o sexismo, a homofobia, o racismo e a intolerância religiosa” e até que ponto é possível injuriar os candidatos no processo eleitoral.
Arboleda, que faz referência ao escândalo entre Bill Clinton e Monica Lewinsky sem problemas, e expõe a imagem de um gigantesco pênis negro junto ao nome de Obama, assegurou que “esses temas estão na rua diariamente e todos somos responsáveis por eles”.
“Esse é o linchamento, o assassinato a que os submetemos quando alguém é contra um negro chegar à Presidência e o menospreza por isso, ou que uma mulher aspire à Casa Branca”, explicou o artista, que se atreveu a situar Hillary em uma parede junto a lésbicas ilustres da história.
Para o colombiano, “em maior ou menor medida, os preconceitos estão presente em todos os lados, e também na imprensa”.
Arboleda se negou a dizer em quem votou nas eleições primárias de fevereiro, e disse não ter certeza de que por trás do fechamento das exposições estejam os artífices das campanhas eleitorais de Obama e Hillary.