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Exposição no CCBB retrata vida e obra do escritor mineiro Fernando Sabino

Arquivo Geral

13/08/2007 0h00

O nome do escritor mineiro Fernando Sabino está indissociavelmente ligado ao mundo das letras. Porém, Sabino foi muito mais que um escritor. De baterista de jazz a atleta, de funcionário público estadual a roteirista e diretor de cinema, de redator de jornal a adido cultural do governo brasileiro no exterior, o autor de obras fundamentais da literatura brasileira exerceu diversas atividades durante sua vida.

Esse seu caráter multifacetado poderá ser melhor conhecido – em detalhes e com curiosidades – pelo público brasiliense entre os dias 29 de agosto e 12 de outubro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), durante a exposição multimídia Encontro Marcado com Fernando Sabino.

A mostra – que já passou por Belo Horizonte (onde recebeu mais de 22 mil pessoas) e Rio de Janeiro – é formada por módulos que levarão o visitante em uma viagem sensorial pelo universo de Fernando Sabino, tanto de sua produção artística quanto por passagens de sua trajetória pessoal.

João Uchôa, um dos arquitetos da equipe de concepção dos espaços, comenta a produção da exposição: “O Fernando Sabino era uma pessoa carismática, alegre e de um grande senso de humor. Procuramos passar isso na exposição, para ganhar o espectador pela empatia”, sugere.

Organizada em forma cronológica, a exposição começa em um ambiente intitulado O Menino no Espelho, que remete à infância do autor e traz depoimentos em áudio. O ambiente funciona como uma espécie de sala de cinema, que leva o visitante para dentro da imaginação do menino.

Infância
Lançado em 1982, o livro O Menino no Espelho (obra adotada em escolas de todo o País), volta até a Belo Horizonte da década de 1920 para apresentar um menino que tem como amigos o cachorro Hidemburgo, o coelho Pastoff e a galinha Fernanda (que ele salva da panela); e como inimigo, o papagaio Godofredo, uma namorada (Mariana, a menina da casa ao lado) e um menino que é seu exato oposto em tudo – seu nome, inclusive, é ao: Odnanref.

Antes mesmo de completar 20 anos de idade, Sabino escreve e publica A Marca – novela que dá nome ao segundo módulo da exposição – que seria elogiada por Mário de Andrade (que comparou o então jovem escritor mineiro a Machado de Assis). No ambiente, é resgatada, por áudio e imagens, como no livro, a dedicação do autor à natação, durante a adolescência.

Durante essa época, Fernando Sabino dividia sua dedicação entre a leitura e os esportes. Como nadador (sua especialidade era o nado de costas) ganhou diversos campeonatos e chegou a bater alguns recordes. Entre os seis e os 14 anos, ele foi escoteiro. Sobre o período escreveu: “Levei seis anos de minha infância com um lenço enrolado no pescoço, flor-de-lis na lapela e pureza no coração, para descobrir que não passava de um candidato à solidão.”

A forte amizade que uniu Fernando Sabino a seus grandes amigos, o arquiteto Hélio Pellegrino (1924-1988), o jornalista Otto Lara Resende (1922-1992) e o poeta e cronista Paulo Mendes Campos (1922-1991) e a ida dos quatro para o Rio de Janeiro são temas das etapas quatro e cinco da exposição, intituladas, respectivamente, O Encontro Marcado e O Viaduto. Uma estrutura em forma de ponte representa simbolicamente a ida dos amigos da capital mineira para o Rio de Janeiro, onde a certa altura, Sabino foi morar.

Rio de Janeiro
O módulo O Homem Nu – cuja famosa crônica vem publicada na íntegra na edição de amanhã, deste  caderno – reproduz o apartamento do escritor em Ipanema, na capital carioca, onde viveu até o fim da vida. O local apresenta móveis, livros e objetos originais que serão trazidos especialmente para a exposição. É ali que se cruzam diversos aspectos da vida de Fernando Sabino: o cineasta, o viajante, o ávido leitor e o músico de jazz. Sobre sua faceta de músico, o trompetista mineiro Marcelo Costa, que dividiu o palco com Sabino em uma ocasião, comenta: “Ele era um bom baterista. O engraçado era como ele falava de forma depreciativa de sua performance como músico.”

Na atmosfera intitulada O Grande Mentecapto, o visitante continua a conhecer a pluralidade de Sabino: o cronista engraçado, o homem solidário, o baterista – a bateria que ele costumava tocar, por exemplo, faz parte da cenografia criada para o módulo. O escritor costumava dizer que Geraldo Viramundo, personagem do livro que dá título a esta passagem da exposição, era ele mesmo, ou seja, alguém que desde menino tinha dentro da cabeça mil idéias, mil ritmos, mil imagens.

No espaço Gente, fotos de pessoas (amigos, familiares, celebridades), lugares (onde viveu ou visitou) e histórias curiosas compõem um grande painel de referências do mineiro. Já no Tabuleiro, a vida do autor é exposta em projeções, textos, luz e áudio. Em Biografia, como o próprio nome informa, apresenta as obras do autor de forma didática para o público acompanhar.

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