Sessenta e cinco mil visitantes. Este é o número de pessoas que visitaram a mostra Arte da África, desde que foi inaugurada, em janeiro, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). O recorde anterior havia sido da exposição Gravuras de Rembrandt, com 33.800.
“Os números atingidos neste evento, bem como o perfil dos visitantes da exposição, demonstram que o projeto está sendo um sucesso não apenas por seu valor artístico. Verificamos que o público se identificou com o tema, participando ativamente de todos as iniciativas paralelas desenvolvidas”, diz Marcelo Mendonça, diretor do CCBB.
Outro dado importante é que 38% dos visitantes nunca tinham visitado o CCBB e o fizeram por causa da mostra, o que representa uma renovação de público significativa. E a participação das satélites também foi significativa. Aumentou em 50%, de diferentes regiões e cidades-satélites do DF, como Brazlândia, Gama, Paranoá, Recanto das Emas, Samambaia e São Sebastião. Muito desse sucesso foi atribuído ao lançamento do ônibus gratuito, que circulava pelo Plano Piloto, levando as pessoas ao CCBB.
A exposição tem curadoria de Peter Junge, curador-chefe do departamento de África Museu Etnológico de Berlim. É a maior e mais importante mostra já realizada sobre o continente africano no Brasil e já passou pelo Rio de Janeiro e, depois de Brasília, segue para São Paulo.
São esculturas figurativas, máscaras, instrumentos musicais e objetos de uso cotidiano, como jóias em ouro e marfim, pentes com decorações, apoios para a nuca, e tantos outros artefatos. São tesouros absolutos, do século 15 ao 20, de 31 países da África, com ênfase no Congo, em Camarões e Angola. Peças criadas por artistas em grande parte desconhecidos, mas que hoje são consideradas obras-primas mundiais.
Ao contrário do que se pode imaginar, a exposição não tem um caráter antropológico e não pretende fazer um levantamento histórico. Quer falar de arte. “O fato de as obras de arte desempenharem uma função específica num contexto cultural, não as distingue das obras de arte criadas na Europa desde a Antiguidade”, disse o curador.