Muito mais que um gênero musical, o hip hop é um meio capaz de promover transformações sociais. E esta característica é o principal enfoque do 1º Seminário de Hip Hop do DF e Entorno que trará palestras, apresentações musicais, exibições de vídeos e filmes de sexta a domingo, na Universidade de Brasília.
As palestras abordarão desde o papel da mulher até a relação do DJ e do grafite na inclusão social. Na programação de filmes estão os documentários Em Comum (sobre o hip hop no DF), Rap de Saia, Rap – O Canto da Ceilândia, Coletivo Aquilombado e Favela Rising. Participam como palestrantes o grupo Bispo SB (Street Breakers), de São Paulo, o rapper candango X (ex-Câmbio Negro), o DJ TyDoZ (DF), a cineasta e cantora Refém, do Rio de Janeiro, Gilmar Satão, da equipe de dança DF Zulu Breakers, Zezé da Cufa (Central Única das Favelas) cearense, Beto Sales, secretário-adjunto de Cultura do DF, com a palestra Políticas Culturais Includentes, e Sérgio de Castro, da ONG Grupo Atitude (DF).
“Trabalhamos com as quatro expressões do hip hop”, explica Sérgio de Castro. Por quatro expressões entenda-se o MC (quem canta rap), o DJ (que produz a base musical tendo o toca-discos como seu instrumento), o break (dança de rua, com movimentos e coreografias característicos) e o grafite (expressão gráfica de linguagem própria, pintada com sprays).
Queremos falar para o público sobre as nossas experiências, mostrar para os nossos pares que existem escolhas melhores, que eles podem ser mais empreendedores”, continua Castro. “Nossa meta é exatamente essa: mostrar, por meio das palestras, que é possível usar o hip hop para a concientização e a inclusão social”, comenta o coordenador do seminário Cláudio Raffaello Santoro, o DJ Raffa.
Segundo avaliação do coordenador, 50% do público do hip hop ainda não tem consciência dessas possibilidades, pela simples falta de informação. “Esse é o nosso grande desafio, conseguir despertar nas pessoas a vontade de fazer alguma coisa”, diz Raffa. Ele conta que as quatro atividades do hip hop podem ser um trampolim para o mercado de trabalho.
“Temos vários exemplos de jovens que se encontravam em situações de risco, longe dos estudos e próximos da criminalidade, mas depois das nossas oficinas mudaram de caminho, voltando para a escola e demostrando interesse em desenvolver atividades ligadas ao hip hop. Além disso, eles acabam servindo para influenciar outros jovens da comunidade”, relata Sérgio de Castro.
Outro exemplo é o de Anderson Sá, vocalista do grupo musical carioca AfroReggae. Anderson é o protagonista de Favela Rising, documentário dirigido pelos americanos Matt Mochary e Jeff Zimbalist e que será exibido hoje, na abertura do seminário. O documentário costura a história do Grupo Cultural Afro Reggae à vida de seu vocalista. No filme, ele conta que perdeu um tio na chacina de Vigário Geral, em 1993, beirou a criminalidade e ainda superou um drama pessoal: ficou tetraplégico após cair de sua prancha, mas, milagrosamente, conseguiu se recuperar em poucos dias.
DJ Raffa aguarda a presença de um público variado, de todas as classes sociais, nos três dias de seminário. O coordenador diz que seu desejo é, futuramente, organizar um fórum de hip hop, a exemplo do que já ocorre em outros estados. “Apesar de ser o segundo maior mercado consumidor de hip hop do Brasil, o Distrito Federal ainda não está preparado para uma coisa maior. É difícil conseguir patrocínio. O apoio que recebemos é mais logístico do que financeiro”.
1º Seminário de Hip Hop do DF e Entorno – Palestras, apresentações musicais e de dança e exibição de filmes e vídeos envolvendo hip hop e inclusão social. Hoje, amanhã e domingo, no Auditório Dois Candangos (UnB). Inscrições: Pro Vinil (Conic), Sede da Prefeitura do Setor de Diversões Sul (Edifício Venâncio IV, Sala 401). Mais informações: 3321-7100 e www.hiphopdocerrado.com.br.