Quando ouve elogios para seu mais novo sucesso de audiência, Carlos Lombardi, o autor de Kubanacan, já tem a resposta na ponta da língua: “Eu não falei?”. Autoridade conquistada pelos 40 pontos de média no Ibope da novela das sete – o mais alto no horário desde Uga Uga, assinada exatamente por Lombardi em 2000, que obteve 39 pontos. Entre uma e outra, foram cinco tramas. A crítica especializada ainda torce o nariz, mas o autor garante nunca ter duvidado da capacidade de seu elenco, já acostumado a bater ponto em suas produções. Entre os mais assíduos, Danielle Winits, Humberto Martins, Marcos Pasquim e Betty Lago. Elenco afinado com seu estilo vaudeville de fazer novelas: muita confusão, troca de identidades, mal-entendidos e risadas por minuto. Com um detalhe, muita gente descamisada. A fórmula é pra lá de antiga, mas e daí? “A audiência está maior do que a emissora previa porque meus diretores são fantásticos e porque o elenco, que eu já sabia que era muito bom, é, na verdade, magnífico”, resume o nada modesto Lombardi. E na lista de seus preferidos do elenco está o protagonista Esteban, de Marcos Pasquim. “Já trabalhei algumas vezes com ele, sei há mais tempo que muita gente que ele é bom, mas não esperava que tivesse crescido tanto de O Quinto dos Infernos pra cá”, derrete-se o autor, referindo-se a sua minissérie.
“Seu Esteban tem nuances e sutilezas mais sofisticadas do que poderia esperar no auge do meu otimismo”, admite Lombardi.
Outros que só merecem elogios são Adriana Esteves e Vladimir Brichta. “A Lola dela é hipnótica, impossível não olhar pra Adriana”, baba Lombardi, acrescentando: “Sabia que Vladimir era ótimo, com uma leitura muito inteligente do personagem e um senso de humor invejáveis”. A exigência de Lombardi com seus pupilos é grande, já que agüentar o corre-corre das cenas não é nada fácil. “Temos um elenco que trafega do melodrama para a comédia num piscar de olhos, que faz cenas que demandam esforço físico, mental, alta técnica para emitir a voz durante movimentos, marcações aeróbicas que deixam a novela animada, rápida, pra cima”, enumera o mestre Lombardi. Correria que, ele promete, não vai acabar até que a trama chegue ao final. “O mistério sobre a identidade de Esteban dura muito tempo. Mas garanto que vai ser resolvido bem antes do último capítulo. É que tenho todo um arco de história previsto pra contar depois da solução do mistério”, promete o autor.