Estudo experimental feito pela Universidade de Colorado, Estados Unidos, alerta sobre dietas famosas como a de Atkins, no caso das nulheres gestantes. Por serem ricas em proteínas, elas podem causar maior risco de abortos e nascimento de bebês prematuros. O estudo foi realizado com ratas, que veio a confirmar outra pesquisa similar realizada com vacas.
As ratas prenhes foram submetidas a uma dieta diária de 25% de proteínas durante quatro semanas. Os pesquisadores concluíram que o índice de implantação dos embriões foi de 65%. Já entre as ratas que passaram por uma dieta normal (14% de proteínas), o percentual de sucesso foi de 81%.
A razão do insucesso seria a produção excessiva de corpos cetônicos – componentes tóxicos produzidos a partir da degradação das moléculas de proteína –, que interferem no desenvolvimento fetal. No trato reprodutivo das ratas submetidas à dieta protéica, por exemplo, foi encontrada quatro vezes mais quantidade do agente tóxico do que entre as ratas em dieta normal.
Mesmo diante da inexistência de pesquisas que indiquem o prejuízo de altas quantidades de proteína à fertilidade humana, há médicos que desaconselham esse tipo de dieta às mulheres que tentam uma gravidez espontânea ou mesmo por meio de tratamentos da reprodução assistida.
“No período da estimulação ovariana [por meio de hormônios], orientamos para que as pacientes diminuam a proteína e aumentem um pouco o consumo de carboidrato”, afirma o médico Edson Borges, especialista em reprodução assistida. As mulheres são orientadas a reduzirem a atividade física porque a prática também produz os corpos cetônicos.
Para Borges, é muito provável que a toxicidade desses corpos afetem o desenvolvimento inicial do embrião humano. Na avaliação dele, é conveniente interromper a dieta hiperprotéica antes mesmo da confirmação da gravidez, que geralmente ocorre por volta da 5ª semana de gestação. “É importante que o ambiente uterino esteja com baixo nível de substâncias tóxicas”, afirma.