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Estréia hoje em dez salas de cinema da cidade o longa <i>Primo Basílio</i>

Arquivo Geral

10/08/2007 0h00

Gloria Pires, Fábio Assunção, Reynaldo Gianecchini, Débora Falabella. Não, este não é o elenco de uma nova novela da Globo, mas do (não menos global) filme Primo Basílio, adaptação do livro de Eça de Queiroz que estréia hoje em dez salas de cinema na cidade.

Dirigido por Daniel Filho – responsável pela maior bilheteria de um filme nacional no ano passado – Se Eu Fosse Você -, o drama traz para a São Paulo da década de 1950 a história do triângulo amoroso entre Basílio (Fábio Assunção), Luísa (Débora Falabella) e Jorge (Reynaldo Gianecchini).

No livro de Eça de Queiroz, de 1878, a trama se passa em Lisboa, Portugal. “Chegamos à conclusão de que São Paulo naquela época ainda era muito elitista, fechada, bem parecida com a Lisboa de 80 anos antes’, diz o diretor.

Para quem não leu o clássico do Realismo no colégio, a história conta a vida de Luísa, uma dona de casa, mulher de Jorge, um homem bom que passa muito tempo longe dela por conta do trabalho. Quando o primo da moça, o bon vivant Basílio, volta da França, os dois têm um tórrido romance. O problema é que a empregada da casa, Juliana (Gloria Pires), descobre o caso e começa a chantagear a patroa. Sem saber o que fazer, Luísa se rende aos caprichos de Juliana e começa a ser humilhada, fazendo os serviços de casa, por exemplo –- o que, seja na Portugal do século 19 ou na São Paulo de 1950, era humilhante para uma “senhora de elite’.

Daniel Filho também dirigiu a minissérie baseada na mesma obra, feita para a Globo nos anos 80 e escrita por Gilberto Braga e Leonor Bassères. “Facilitou muito para este trabalho o fato de eu já ter dirigido a série porque eu domino a história. Mas o filme foi outra coisa, principalmente porque eu quis focar na trama central da obra’, diz ele. Gianecchini, por exemplo, diz que não assistiu à atuação de Tony Ramos, que fez seu papel na TV. “Não queria me basear no que já tinha sido feito antes’, conta.

E, para destacar a trama central, o diretor não economiza nas cenas de sexo – com direito até a nu frontal. “Quis trazer um pouco do universo de Nelson Rodrigues’, justifica.Por mais esforçados que sejam os atores, e mesmo com outro cenário, não tem como escapar da sensação de déjà vu, ou seja, já visto antes.

Débora Falabella, que interpreta a adúltera da trama de Eça de Queiroz, não acredita que existam mais Luísas nos dias de hoje. “A realidade é muito diferente, acho que nem a traição é mais um tabu tão grande como era naquela época. Mas a Luísa é uma mulher sensível, que comete erros, como todos nós’, afirma, completando que uma de suas principais preocupações na hora de compor a personagem era descobrir as semelhanças entre as mulheres do século 19, onde se passa o livro, e a dos anos 1950, onde o filme é ambientado.

“Elas viviam para cuidar da casa e do marido. Eram muito castradas, sexualmente falando’, conta a atriz. Sobre as cenas de sexo, com direito a nu frontal da atriz, Débora conta que ficou apreensiva no início. “Não tem como não se preocupar um pouco, mas era tudo tão ensaiado que acabou ficando uma coreografia, encenar era muito natural. O Fábio e o Gianecchini foram superlegais, também. O mais sem graça acho que é ficar pelada na frente da equipe toda. Depois, dá medo de ver o resultado, mas ficou muito bom’, conta.

Juliana, a responsável por todas as agruras de Luísa na trama, não fez só a patroa sofrer em Primo Basílio. A intérprete dela, Gloria Pires, que está no elenco da atual novela das oito, Paraíso Tropical, conta que também passou por maus bocados para interpretar a malvada empregada.

“A Juliana, além de ser sofrida, é muito feia. Quando o Daniel me convidou, eu aceitei na hora, mas, depois que a pesquisa começou, eu até pensei em desistir. Ao contrário do que um ator geralmente faz, que é valorizar seus pontos fortes, eu tive de buscar os meus piores’, afirma a atriz. Mas Glória conta que trabalhou muito para não estigmatizar a personagem. “Por piores que sejam seus atos, a intenção dela é conseguir sua aposentadoria. Além disso, ela era humilhada pela patroa. Dá até para entender um pouco o lado dela’, defende a personagem.

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