O movimento be-bop surgiu na década de 40, como forma de mostrar os tutanos e músculos do jazz. O saxofonista Sonny Rollins apareceu logo em seguida, no rastro do estilo, para dizer que os brutos também amam. Dois dos mais importantes discos de Rollins estão sendo relançados no meio de uma série de CDs extraídos do catálogo da gravadora norte-americana Fantasy, sob o selo Prestige, que trazem, para além da música, duas atrações: a remasterização em 20 bit, que se traduz num som muito mais puro, e as capas cartonadas com todas as informações do disco original. Tenor Madness e Saxophone Colossus, ambos gravados em 1956, se destacam porque embora à época Sonny Rollins tocasse no quinteto de Clifford Brown e Max Roach, imprimiu personalidade incomum atuando como líder. Sem renegar a herança bop nascida de sua admiração por Charlie Parker e Coleman Hawkins, Rollins surpreendeu o mundo do jazz com uma abordagem mais romântica, especialmente em Colossus. A presença de um segundo sax tenor em Tenor Madness – o então promissor John Coltrane – mostra a ousadia de Sonny Rollins em propor um encontro de gigantes, desafio emoldurado por uma cozinha de respeito: Philly Joe Jones (bateria), Paul Chambers (baixo) e Red Garland (piano), que formavam no quinteto de Miles Davis. Tudo foi gravado em um dia apenas. A faixa título mostra os bíceps, numa sessão de arrepiar em que os dois jovens tenoristas se provocam mutuamente e traduzem um tema aparentemente simples numa usina de sons.
O disco é um quase rompimento com o hard bop, a versão mais pesada e crua do estilo, e mostra um músico preocupado com uma abordagem diferente. Embora bem-sucedido nesta fase, poucos anos depois Rollins interromperia a carreira pela primeira vez para estudar, voltando num mergulho de cabeça nas turbulentas águas do free jazz.