A primeira atração é Sevé, da Zero Cia de Bonecos de Belo Horizonte. Apesar de ser um espetáculo de bonecos, tem uma temática voltada para o público adulto. No palco, bonecos feitos de espuma que interpretam Sevé – Severino –, um nordestino casado com Flor de Bonina e Capiroto, o “coisa-ruim” do Sertão Nordestino. “Eu e o escritor pernambucano Fernando Limoeiro escrevemos o texto e o resultado é um misto de influências do cordel e da rica cultura nordestina”, diz a diretora Wilma Rodrigues. A segunda atração do projeto Filo Brasília vem com Victor James, do Centro Teatral e Etc e Tal, do Rio de Janeiro. A trupe composta por três atores, Melissa Teles-Lôbo, Álvaro Assad e Álvaro Assad, conta a história de Victor James, um menino como tantos outros, mas que tem um grande problema: não pensa em outra coisa além de jogar com seu videogame.
“A partir disso criamos uma dicotomia entre a estória sem palavras do garoto e aquela contada pelo narrador. É a chamada pantomima literária, feita naqueles filmes de animação de massinha em que os bonecos não têm voz definida, mas emitem sons. Victor James é assim. Por isso é universal”, diz Álvaro Assad, que além de interpretar o garoto no palco, dirige o espetáculo. A pantomima literária nada mais é do que ação simultânea à narração. Enquanto um ator narra o texto, o outro o executa, ao mesmo tempo, em mímica. O confronto entre o que está sendo narrado com a forma que o ator encontra para cumprir as ordens deste narrador é o que resulta no interesse da platéia.
Isso faz também com que a encenação possa ser entendida mundialmente. Basta para isso que o narrador utilize a língua local. Prova é que a trupe acaba de voltar do Festival Internacional da Dinamarca, onde apresentou o espetáculo e obteve grande sucesso. Mais um dentre os mais de 30 prêmios já reunidos pela companhia carioca.