A Globo é, com toda certeza, a mais profissional das nossas emissoras, só que pode pagar um preço alto pelos seus próprios erros. Nos últimos tempos, se acentuou demais, até de maneira incontrolável, a formação de determinados “feudos”, principalmente na parte que diz respeito às suas novelas. Só como exemplo: se a história é do Manuel Carlos, é possível, até com muita facilidade, descobrir quem viverá os seus principais papéis. O mesmo se aplica a todos os outros, como Benedito Ruy Barbosa, Gilberto Braga, Walcir Carrasco e companhia bela. Numa escala um pouco inferior, existe o caso dos diretores de núcleos e os seus protegidos. Essa é a Globo de hoje. Não vai aí qualquer crítica a preferência por um ou outro, o problema é que no meio disso, são embutidos interesses outros. Nos tempos que o Boni, José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ainda mandava por lá, essas coisas até existiam, mas não nesta perigosa escala de agora. Os títulos das novelas, hoje escolhidos pelos autores, antes surgiam depois de um esforço coletivo, onde as principais cabeças da emissora se reuniam para dar suas sugestões. O mesmo processo era colocado em prática para escolher os nomes principais de cada elenco. Raramente aconteciam erros. Agora, as coisas estão bem diferentes.