Esta é uma boa hora para celebrar o renascimento do circo e da cultura popular. Ao menos é assim que representantes da classe artística de Brasília classificam o novo fôlego injetado aos artistas dos picadeiros com o lançamento do Prêmio Funarte de Estímulo ao Circo, Prêmio Funarte de Dramaturgia e da Caravana Funarte de Circulação Brasil Central. Os editais para este ano foram anunciados na noite de segunda, pelo presidente da Funarte, o ator Antônio Grassi, na Sala Funarte Cássia Eller.
Neste ano, os editais somam um incentivo de pouco mais de R$ 1,6 milhão. Para grupos circenses selecionados pelo Prêmio de Estímulo ao Circo, o apoio será de R$ 1 milhão – R$ 800 mil a mais do oferecido aos vencedores no ano anterior. Os dramaturgos serão contemplados com recursos de R$ 15 mil, R$ 12 mil e R$ 10 mil, para os três primeiros colocados, respectivamente, em cada região do País. A Caravana, por sua vez, será direcionada para 20 companhias de Artes Cênicas e dança a serem escolhidas. Os grupos serão agraciados com a cifra de R$ 600 mil para desenvolver um projeto itinerante pelo Centro-Oeste brasileiro e Tocantins.
Grassi conta que a preocupação do governo federal com a cultura está mais voltada para programas e projetos. “Junto ao ministro Gilberto Gil, fizemos um esforço conjunto para investirmos mais em atividades finalísticas”, reforça. Do ano passado para cá, os recursos para projetos culturais – que representavam somente 16% dos custos da Funarte – já somam 47% dos gastos. Na ocasião, Grassi empossou o produtor cênico Claudinei Pirelli como representante da Funarte no Brasil Central, responsável por coordenar a Caravana Funarte de Circulação.
palhaçadasCom números improvisados de malabarismos, cantigas e brincadeiras, os artistas do Circo Payassu e do grupo Artitude, coordenados pelo palhaço Xaxará Borogodó, marcaram presença em peso na solenidade de lançamento dos editais. “Iniciativas como essa reforçam a idéia de que há um renascimento do circo”, frisa Xaxará. “O circo faz nascer as crianças de cada um e promove um relaxamento social muito grande”, discursa.
O palhaço – um dos mais ativos na cena brasiliense – acredita que o trabalho do governo não pode se limitar ao lançamento de editais. “Só funciona se puder atender a todos. É preciso ter um olheiro para descobrir nossos valores”, diz. Segundo ele, as ações não podem contemplar sempre os mesmos artistas e grupos. “É mais fácil aceitar que algum veterano seja premiado. Mas tem muita gente que só precisa ser descoberta”, completa Xaxará.
O dramaturgo e mestre de mamulengo Chico Simões, agraciado com o Prêmio Funarte de Dramaturgia do ano passado pela obra A Chegança do Boi, compartilha da mesma visão do palhaço. “Estamos vivendo também o renascimento da cultura popular”, defende. “Mas só a atuação do governo não basta, é preciso que os próprios artistas estejam atentos a essas questões”, diz.
Na noite de segunda, o presidente da Funarte aproveitou para adiantar que, hoje, serão divulgados os nomes dos 94 participantes do revitalizado Projeto Pixinguinha. Foram 1.584 inscritos para participar da edição 2004 do programa musical criado em 1977 e que virou marco da MPB nos anos 80. Cancelado em 1997, o projeto será retomado a partir do próximo mês.