A palavra Rudra pode não significar muita coisa para quem a ouve, pela primeira vez. Mas quer dizer o futuro de muitos jovens talentos, bailarinos do mundo todo que têm a oportunidade de conhecê-la e vivenciá-la. Rudra é a escola-ateliê criada em 1992 pelo coreógrafo francês Maurice Béjart que reúne, todos os anos, os novos talentos para compor, no futuro, a Companhia M., novo nome dado à antiga Companhia Maurice Béjart. William Pedro, carioca de 22 anos, é uma das peças que hoje compõem a companhia e que começou sua experiência no Rudra.
Em entrevista ao Jornal de Brasília, o jovem relatou que começou a dançar com dez anos de idade em um projeto desenvolvido no Leblon (Rio de Janeiro) para crianças carentes. “Comecei a acreditar que a dança poderia mudar a minha vida. Passei lá um ano, tendo aulas com o coreógrafo Zoé Canellas e aprendendo muito”, lembra William. Em 1999, a companhia de Béjart foi se apresentar no Rio. Na ocasião, William viu a grande chance de mostrar seu trabalho. “Eu fui de intrometido lá no teatro e pedi uma audição”, conta. “Eles nem estavam fazendo audições, mas queria mostrar meu trabalho a qualquer custo.” Foi assim que o jovem brasileiro teve seu ingresso garantido na companhia do mestre. Ele passou pelo Rudra e, diferentemente dos demais alunos, foi automaticamente remanejado para a Companhia M., da qual participam atualmente apenas 15 dançarinos do mundo todo. “Béjart queria um grupo homogêneo que, independentemente de falar diversos idiomas, tivesse um único objetivo – o de gostar da dança. O resultado é um grupo com a alma e espírito ligados”, diz William, explicando que a formação dos dançarinos acaba sendo completa, pois trabalha o psicológico e o mental. Os estudos incluem aulas de música, teatro, artes marciais, balé moderno e inclusive dança africana. Voltar ao Brasil depois de tanto trabalho e apresentações no Egito, Rússia, Inglaterra, Itália, Alemanha e França é sempre uma ótima sensação. “O melhor de estar aqui é mostrar para os meus companheiros da companhia as minhas origens, as comidas, enfim, compartilhar tudo isso que é o Brasil. O mais engraçado é que eles não acreditam que estamos no inverno com todo esse calor… Quero que a companhia conheça o meu país, feito de pessoas simples; quero que conheçam os valores verdadeiros daqui”, diverte-se. Estando no Brasil é hora de rever os amigos, a família, relembrar os bons momentos. “Não sofri tanto, não foi um rompimento muito grande quando fui para o Rudra, pois vivo longe de casa desde os 13 anos de idade, quando morei em Mônaco para estudar.” Mas mesmo se divertindo, esse jovem não tira a cabeça do trabalho. O grupo ensaia todos os dias, das 9h às 20h, com uma única folga na segunda. Trabalho duro, mas que para William vem se revelando, ao longo dos anos, dos mais gratificantes. Sobre estar pela primeira vez em Brasília, William declara: “Vai ser um enorme prazer conhecer e me apresentar na capital, mas o que eu queria mesmo era conhecer o Lula e dar um grande abraço nele. Ele é como eu, lutou e chegou onde está”.