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Escritores premiados recentemente participam de encontro literário na cidade

Arquivo Geral

31/07/2007 0h00

O pernambucano Marcelino Freire, ganhador do Prêmio Jabuti 2006, queria ser ator. Mas achava que “tinha muito pudor pra atuar”. Isso porque ele se considera engervonhado. “Se pedissem para eu tirar a roupa, por exemplo, não tiraria. Seria um ator incompleto”, responde, e logo se adianta para ressaltar que na literatura é diferente: “Como escritor eu dou as caras, tiro a roupa”, brinca.

Ele supera a vergonha de falar em público e participa hoje da 17ª edição do projeto Encontro com Escritores, do Açougue Cultural T-Bone (712 Norte). Juntam-se a Marcelino no bate-papo o escritor paulista Daniel Galera (Mãos de CavaloAté o Dia que o Cão Morreu) e a cronista brasiliense Ana Miranda (vencedora do Prêmio Jabuti em 2003, na categoria de melhor romance, com Dias & Dias). O encontro começa às 19h, com entrada franca.

Marcelino não seguiu a carreira de ator, mas hoje vê seus textos encenados em palcos brasileiros. “De certa forma, essa foi minha forma de voltar ao teatro”, diz. Seu primeiro livro publicado, Angu de Sangue (2000), foi destaque no Festival de Curitiba deste ano, pela encenação da Cia. Coletivo Angu de Teatro, de Pernambuco. “Meus textos são monólogos prontos, e acho que isso é uma influência do tempo de teatro”, afirma o escritor.

Além das características teatrais, o texto de Marcelino também é  musical. “Eu escrevo em voz alta, sempre em primeira pessoa, imaginando aquele personagem em cena”, conta. A explicação dessa musicialidade na escrita, segundo ele, vem da herança cultural nordestina. “Vivi essa experiência de morar no Nordeste, essa oralidade sertaneja. Mas só percebi esse meu cacoete quando cheguei a São Paulo”, relata Marcelino.

O autor mora na capital paulista desde os 23 anos (hoje, ele tem 40). “Vim para mudar de ares”, diz o escritor, que declara não gostar de sol, calor, praia, suor. “Adoro minha terra, mas chego lá e fico mole. As cidades do Nordeste te  amanhecem. E São Paulo é uma cidade que te acorda”, deduz o pernambucano, que “precisava ser acordado.”

Sobre as impressões que tem sobre as cidades, Brasília fica com o título de estranha. “A primeira vez que cheguei aí achei tudo muito montado, frio. Depois conheci a noite, que é quando a cidade se desorganiza um pouco. Hoje eu me considero cidadão brasiliense também.” Dos escritores candangos, Marcelino gosta de José Rezende Júnior, Breno Cammel e João Bastista. “Sem esquecer, é claro, do grande poeta Nicholas Behr”, alinhava.

Marcelino trabalha meio-período como revisor numa agência de publicidade e se dedica à literatura no resto do tempo. “Não dá pra viver de literatura,  apesar de sonhar com isso, mas sempre tive a consciência de que sou um escritor brasiliero contemporâneo. Ainda estou construindo uma obra”, afirma o autor de EraOdito, BaléRalé e Contos Negreiros, ganhador do prêmio em 2006 na categoria Melhor Livro de Contos.

17° Encontro com Escritores – Com Marcelino Freire, Daniel Galera e Ana Miranda. Hoje, às 19h, no Açougue Cultural T-Bone (712 Norte). Entrada franca.

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