Desde o lançamento dos Raimundos no mercadão nacional do rock brasileiro, há dez anos, Brasília não conseguia produzir uma banda com tanta personalidade. A impressão que se tinha é que a fonte havia secado. Mas para o deleite dos amantes do rock candango – e brasileiro – surge uma luz no fim do túnel: Phonopop.
O álbum de estréia, Já Não Há Tempo, é um dos melhores trabalhos do atual rock nacional e, desde Cosmotron, do Skank, ninguém tinha alcançado um padrão rock com tanta qualidade. Curiosamente, a fonte é a mesma: Beatles. E há inúmeras referências – não cópias como faz a maioria. Mas também há um passeio pelo que ocorreu de melhor em termos de casamento de guitarras nos anos 80. Jesus and Mary Chains é outra citação de Fernando Brasil (guitarra e voz), Ju (guitarra), Daniel Cariello (teclado) e Bruno Daher (bateria).
Canções conhecidas do público, por veiculações anteriores de CD-demo, como Goodbye e Love is Just Love, foram resgatadas nessa estréia, ambas em português – o original era em inglês. Outros momentos do disco são surpreendentes, como Fragmento, a faixa-título Já Não Há Tempo e Amor em Preto e Branco, todas com clima de guitar band.
O Phonopop prende a atenção já na abertura do repertório com a excelente Cidade-Labirinto, uma decodificação de música mod (o estilo venerado pelo Ira!, no Brasil, e The Jam, na cena internacional) com os vocais dos fab four de Liverpool. Aliás, Fernando Brasil amadureceu muito na forma de cantar e hoje surge como uma das novas promessas do canto pop no País. E duas canções deste disco estão prontinhas para arrebentar em trilhas de novela: Marina e Enquanto Tudo ia Bem, dado o formato pop das melodias, que grudam nos ouvidos.
A produção de Phillippe Seabra (ex-Plebe Rude) é um primor. Embora tenha influenciado alguns arranjos que puxam para o melhor estilo The Clash – e por conseqüência a própria Plebe, principalmente a canção A Ida, último grande sucesso dessa famosa banda brasiliense, nos anos 80 –, como se nota em Alguém Para Nos Separar, a mão de Seabra não predomina. E é aí, identificando as influências e o contrapeso de cada uma delas no som do Phonopop que temos a certeza de que, ao encerrar a audição, ouvimos uma grande banda.