O compacto de 70 minutos do Brasília Music Festival exibido pela Rede Globo no último domingo, após o Fantástico, não fez justiça ao evento. Mesmo assim, valeu a projeção nacional da cidade, mostrando que em Brasília há gente além da Esplanada dos Ministérios e dos costumeiros escânadalos de corrupção que a emissora veicula em seu noticiário diário, sempre apresentando a capital federal como ilha da fantasia.
Os shows do BMF superaram em muito os poucos momentos editados no especial da Globo, com exceção para Alanis Morissette, que não conseguiu nada além do que foi exibido, e da banda local Móveis Coloniais de Acaju – que brilhou, mas ficou fora.
O melhor momento da primeira noite, por exemplo, quando Dinho Ouro Peto, do Capital Inicilal, chamou ao palco a Plebe Rude e o vocalista do Jota Quest, Rogerinho – para cantar Que País é Este?, numa homenagem a Renato Russo –, foi assassinado na edição, com os créditos emergindo sobre as imagens do percussionista Denny Conceição em apoteose inesquecível. O Simply Red, que estará hoje à noite na MTV, também não apareceu na edição com o melhor que fez.
Embora o especial não tenha privilegiado os melhores momentos, vale destacar que com essa exibição a Rede Globo mostrou a todo o País e aos empresários internacionais que é possível, sim, realizar um evento deste porte na capital brasileira. As imagens feitas do dirigível Goodyear não deixaram dúvidas sobre a quantidade de público presente aos três dias de BMF: algo próximo de 150 mil pessoas, algumas vindas de vários estados.
O núcleo Aloísio Legey montou um aparato digno de Rock in Rio no Autódromo Nelson Piquet, com atores e apresentadores globais trabalhando com afinco por três noites. O compacto exibido no domingo é uma exigência contratual do evento, mas abre as portas do mercado para um DVD que será distribuído pelos patrocinadores e que poderá – depende ainda de negociações com gravadoras – chegar ao mercado.