Graças a diretores como João Moreira Salles, de Entreatos (2004), e Eduardo Coutinho, de Edifício Master (2002), o gênero documentário está em alta. E marca presença em Brasília, a partir de hoje, no Centro Cultural Banco do Brasil, que traz filmes consagrados e títulos inéditos na mostra Novos Documentários.
A abertura será com a pré-estréia de Mensageiras da Luz – Parteiras da Amazônia, documentário de Evaldo Mocarzel, sobre a vida de parteiras do Amapá. Ele aborda religiosidade, miscigenação, ecologia, técnicas de parto e sabedoria popular. O diretor estará disponível para bate-papo após o filme. Também de Mocarzel, será exibido À Margem da Imagem, história dos moradores de rua de São Paulo. O longa, vencedor da categoria Melhor Documentário no 31° Festival de Gramado de 2003, trata de exclusão social, loucura, desemprego e alcoolismo. A realidade das ruas também é evidenciada em Fala Tu, de Guilherme Coelho, mostrando o cotidiano de três moradores de rua da Zona Norte do Rio que têm em comum a paixão pelo rap.
Uma autobiografia em forma de documentário promete surpreender o público: o longa 33, de Kiko Goifman, que retrata a procura do próprio diretor pela mãe biológica. “Eu poderia dar um outro enfoque ao tema da adoção, mas decidi contar a minha história para provocar, gerar polêmica”.
Dois títulos filmados na Amazônia estão na mostra. Do Outro Lado do Rio, de Lucas Bambozzi, registra a migração de brasileiros à Guiana Francesa, ao longo do Rio Oiapoque. Já Vaidade, de Fabiano Maciel, conta a trajetória de mulheres que, revendendo cosméticos na selva, arriscam a vida em canoas precárias e se expõem à malária.
O mundo do crime é o tema de mais dois filmes. Premiado no 7º Festival de Málaga, na Espanha, em 2004, O Prisioneiro da Grade de Ferro, de Paulo Sacramento, aborda o cotidiano na casa prisão do Carandiru (SP) um ano antes de sua desativação. O filme foi realizado à luz dos olhos dos próprios detentos, que aprenderam a manejar câmeras de vídeo. O segundo título é Morte Densa, de Jurandir Muller e Kiko Goifman. Fala sobre a banalização do ato de matar e questiona o significado da morte para pessoas que mataram “apenas” uma vez.