Salve, Jorge. Entrando e saindo da casa do Big Brother com a mesma camiseta, estampada com uma imagem de São Jorge, o baiano Jean Willys acabou saindo vencedor e faturou R$ 1 milhão. Mas nem só de grana se faz uma vitória. No caso de Jean, mais do que nunca, a espada guerreira de São Jorge está cingida contra o dragão do preconceito: o professor será nomeado embaixador do Grupo Gay da Bahia. Marcelo Siqueira, presidente da entidade, quer o vencedor do Big Brother 5 como símbolo da causa dos homossexuais. “Vamos recebê-lo com festa, porque sua vitória é um marco para nossa luta”, destacou.
Festa, aliás, é o que não vai faltar na trajetória de Jean, considerado um dos primeiros sinais de vida inteligente com ética a participar desse reality show – onde, tantas vezes, parece valer muito a disposição para forjar situações que caiam no agrado público. Em junho, Jean vai subir no trio elétrico com Daniela Mercury. Fã confesso da cantora baiana, ele será padrinho da próxima parada gay de Salvador — Daniela é a madrinha.
No Rio, o baiano também vai vestir a camisa da luta pelos direitos dos homossexuais. Ele será o grande homenageado na parada carioca, no dia 26 de junho. “Um personagem da vida real assumir que é gay foi de extrema importância”, acentua Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, que organiza a concorrrida parada no Rio de Janeiro. “Mesmo que Jean não queira, ele já virou um símbolo”.
avançoJean diz que não entrou no programa para levantar a bandeira gay, mas considera sua vitória um avanço contra o preconceito. Seu medo era sair da casa nas primeiras semanas, não dando ao público a chance de conhecê-lo de verdade.
“O comportamento sexual é menor diante de outros valores humanos”, afirma. “O Brasil mostrou ser cordial e responde aos bons valores”. Se ele não pôde desfrutar desse apoio maciço na casa – pelo menos até o primeiro paredão e enquanto permaneceram por lá os membros da chamada “Tropa de Choque” –, a solidariedade dos colegas do bem não tardou a se manifestar.
“Pra mim você é mais homem do que todos os homens desta casa”, disse Pink a Jean logo no dia em que ele declarou suspeitar ter sido indicado ao primeiro paredão por ter assumido sua homossexualidade. “O que você disse faz de você uma pessoa linda”, declarou a pernambucana.
Mesmo tendo ficado relativamente estremecida na última semana do programa, a amizade com Pink – a participante mais espontânea da casa, que conquistou a torcida justamente por sua espontaneidade sem medidas – é uma conquista sólida para Jean. Tanto foi assim que, tão logo saiu da casa, o baiano, depois dos primeiros cumprimentos, deu um abraço apertado e chegou a rolar no chão com sua amiga Pink. Isso é o que se leva desta vida.