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Em <i>O Bom Pastor</i>, Robert de Niro se perde para contar a história da CIA

Arquivo Geral

16/03/2007 0h00

Depois de 13 anos de sua estréia em Desafio no Bronx, Robert De Niro volta à carreira de diretor e assina O Bom Pastor. O filme estréia hoje nos cinemas da cidade e não é nada mais do que o segundo filme de um diretor. É verdade que De Niro se utiliza de seu prestígio em Hollywood e recruta bons atores como Angelina Jolie, Matt Damon, Alec Baldwin e o croata Oleg Stefan, entre tantos outros num elenco numeroso. O próprio cambaleante diretor também faz uma ponta e mostra o excelente ator que é.

O Bom Pastor gasta quase três horas longas e arrastadas para contar a história da criação da CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos. Matt Damon é Edward Wilson, um brilhante estudante da universidade de Yale que no ano de 1939 é convidado a se afiliar à congregação Skulls and Bulls, uma espécie de maçonaria de onde surgiu o embrião da CIA. Ali, Wilson aprende a importância de guardar um segredo e também o valor da lealdade e da fidelidade a uma causa.

Para se dedicar à CIA, Wilson coloca sua vida pessoal a perder. Deixa para trás um grande amor, a doce Laura (Tammy Blanchard, em uma atuação correta de uma menina surda), sai da cidade e, mais tarde, se casa com a dura Margaret (a bela Angelina Jolie, deslocada no papel de uma dona-de-casa submissa ao marido), com quem tem um filho, Edward Wilson Junior (Eddie Redmayne). É como diz o experiente general Bill Sullivan (Robert De Niro) a Edward: "primeiro a agência, depois Deus".

O filme vai até 1961, quando Wilson já á um alto-executivo da CIA e os Estados Unidos querem invadir Cuba. O problema é que essa viagem no tempo é feita a bordo de um roteiro confuso e com muitas idas e vindas. Não é permitido ao espectador uma mínima desviada da tela para pegar uma pipoca ou dar uma piscada a mais para quem está ao seu lado. A pena é perder o fio da meada deste intricado filme e correr o risco de nunca mais achá-lo. A dica para quem cometer o deslize é reparar nas várias armações dos óculos do personagem de Damon, que acompanham as passagens do tempo. A direção de arte, aliás, foi a única indicação do filme ao Oscar deste ano, prêmio perdido para o mexicano O Labirinto do Fauno. Esperava-se bem mais de O Bom Pastor.

Talvez o medo de o fiasco nas principais premiações do ano se repetir nas bilheterias tenha levado a equipe de marketing de O Bom Pastor a investir em fofocas de bastidores. Desta forma, ao invés de falar-se na trama do filme, o assunto era a vergonha que Matt Damon teria sentido ao protagonizar uma cena de sexo com Angelina Jolie, que é esposa de Brad Pitt, de quem Damon é amigo. Ou ainda as cenas de nudez e tortura do personagem Edward Wilson.

Dois factóides, já que no primeiro caso, Damon e Angelina não tiram nenhuma peça de roupa e no segundo, para decepção das fãs do galã, tudo é filmado de longe, na maior decência e discrição, bem aos modos da CIA.

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